Alterações fisiológicas no climatério

Alterações fisiológicas no climatério

Já está bem estabelecido na literatura que as mulheres nascem com um número finito de ovócitos, e com o avançar da idade o número de folículos ovarianos disponíveis vai diminuindo de forma progressiva até que ocorra o encerramento do ciclo reprodutivo da vida da mulher. 

A fase de transição menopausal é um momento marcado por diversas alterações no organismo, ocasionando sinais e sintomas característicos e bem conhecidos dessa fase.  

Ao longo deste texto, iremos abordar as principais alterações fisiológicas que acontecem durante o climatério e algumas estratégias nutricionais que são capazes de auxiliar as mulheres durante esse período.  

O que é o climatério? 

O climatério é uma fase natural da vida que precede a cessação do período reprodutivo feminino. Em outras palavras, o climatério é caracterizado como uma fase de transição entre o período reprodutivo e o não reprodutivo da vida da mulher, marcada por uma série de alterações fisiológicas e hormonais, que podem ter início antes da menopausa e continuar por um tempo, podendo durar alguns anos.  

Por outro lado, o termo menopausa refere-se ao momento da cessação permanente da menstruação, resultado do envelhecimento progressivo e natural da função ovariana e perda da atividade folicular ovariana. Normalmente, a menopausa ocorre entre 45 e 55 anos e é confirmada após 12 meses consecutivos de amenorreia, sem nenhuma outra causa patológica. Já a duração do climatério é bastante variável, podendo perdurar por alguns anos no período pós-menopausa.  

Principais alterações fisiológicas e sintomas do climatério: 

As alterações hormonais que acontecem ao decorrer do climatério e menopausa, principalmente a queda dos níveis de estrogênio, resultam em diversas alterações fisiológicas que provocam sinais e sintomas marcantes nesse período.  

O hipoestrogenismo pode impactar em consequências de curto e longo prazo na saúde da mulher e que interferem diretamente na qualidade de vida, como as ondas de calor, dores de cabeça, secura vaginal, risco cardiovascular, dentre outros. Estar ciente das alterações que influenciam esses sintomas é fundamental para traçar estratégias nutricionais assertivas para o manejo dessa situação e garantir o bem-estar dessas mulheres.  

  • Peso e composição corporal:  

A redução significativa do estrogênio circulante e aumento do hormônio folículo-estimulante (FSH), decorrentes do climatério, estão associados a alterações do gasto energético e na ingestão de energia. Em consequência disso, promove-se um balanço energético positivo e aumento do ganho de peso.  

Além disso, a composição corporal da mulher também sofre alteração, uma vez que ocorre o aumento da massa gorda e maior deposição de gordura na região abdominal. Junto a isso, acontece também a perda de massa muscular, pois os músculos reduzem a capacidade de síntese de proteínas em reposta à estímulos anabólicos.  

Nesse sentido, deve-se incentivar a prática constante de exercícios físicos em conjunto com uma alimentação balanceada e baseada no padrão mediterrâneo, com restrição calórica para as pacientes com sobrepeso ou obesidade. Ademais, priorizar um maior aporte proteico (0,8 a 1,6 g/kg de peso corporal) pode ajudar na manutenção de massa muscular esquelética e melhorar a função física. 

  • Saúde metabólica: 

A fase do climatério também pode impactar em alterações no perfil lipídico, uma vez que são observados maiores níveis de LDL e triglicerídeos, e níveis de HDL ligeiramente reduzidos devido à redução do estrogênio circulante. Em conjunto com a maior adiposidade abdominal, essas alterações podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares.  

O metabolismo de glicose e sensibilidade à insulina também podem ser impactados pelo período de transição menopausa. Isso porque o aumento da adiposidade abdominal está associado à diminuição da sensibilidade à insulina e da tolerância à glicose.  

Nesse sentido, manter uma alimentação saudável, pobre em gorduras saturadas e carboidratos simples, presença de alimentos ricos em ácidos graxos mono e poli-insaturados, e fibras pode contribuir no manejo dessas alterações metabólicas. Além disso, é fundamental manter o peso corporal adequado, por meio da dieta e prática regular de exercícios físicos.  

  • Saúde óssea: 

A redução da densidade mineral óssea também é uma alteração fisiológica característica do climatério e menopausa devido à queda das concentrações hormonais de estrogênio, e tende a acelerar ao longo do tempo. Consequentemente há um risco aumentado para quedas, fraturas e desenvolvimento de osteopenia e osteoporose.  

Nesse sentido, o maior aporte proteico e o treinamento de resistência podem ajudar a reduzir a perda de densidade óssea que ocorre durante esse período. Além disso, manter os níveis adequados de cálcio, vitamina D, K e magnésio é fundamental para garantir a remodelação e estrutura óssea.  

  • Sistema vascular: 

O estrogênio secretado pelo ovário apresenta função de proteção da função endotelial vascular durante o período reprodutivo. Nesse sentido, o declínio dos níveis desse hormônio durante o climatério e pós-menopausa contribui para a disfunção endotelial e rigidez arterial, devido à baixa disponibilidade de óxido nítrico e inflamação de baixo grau.  

Dessa forma, garantir a alimentação com perfil anti-inflamatório e antioxidante, contendo alimentos fonte de ômega 3, fontes de proteínas de origem vegetal, grãos integrais, frutas e vegetais pode ajudar na preservação da função vascular e diminuição do risco de desenvolver doenças cardiovasculares. 

  • Sistema geniturinário: 

Por fim, a síndrome geniturinária da menopausa é caracterizada por diversos sintomas genitais, sexuais e urinários também associados à queda dos níveis de estrogênio circulante, e podem ou não estar associados à outras condições médicas.  

Dentre os sintomas estão secura vaginal, perda de lubrificação, sangramento e corrimento, além de sintomas urinários, que podem incluir incontinência e infecções recorrentes do trato urinário.  

Nesses casos, é importante priorizar uma dieta baixa em gorduras e açúcares, e rica em frutas, vegetais e grãos integrais. 

Conclusão: 

Portanto, é notável que a dieta é um fator que contribui significativamente no manejo e na melhora da qualidade de vida de mulheres durante o climatério. Por isso, entender como ocorrem as alterações fisiológicas desse período e adotar estratégias nutricionais de acordo com os sinais e sintomas relatados é fundamental para garantir o estado nutricional adequado e bem-estar dessas pacientes.  

Referências: 

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