O transtorno do espectro autista (TEA) é uma condição complexa do neurodesenvolvimento, caracterizada por uma fisiopatologia multifatorial. Seus principais aspectos incluem desafios na interação social, comunicação, padrões comportamentais repetitivos e restritos.
O diagnóstico de TEA engloba uma série de transtornos do neurodesenvolvimento que fazem parte do espectro, como o transtorno autista, Síndrome de Rett, Síndrome de Asperger e transtorno global do desenvolvimento não especificado.
Os sintomas costumam aparecer durante a infância, mas a gravidade é bastante variável, o que resulta em uma apresentação heterogênea, podendo atrapalhar o diagnóstico e prejudicar o tratamento dos pacientes
O autismo não tem cura, mas o tratamento dos pacientes é baseado em uma abordagem multidisciplinar, com foco em terapias que auxiliem na comunicação e interação social desses indivíduos.
Nesse sentido, o nutricionista apresenta papel crucial na alimentação dos pacientes autistas, pois garante que as necessidades energéticas sejam atingidas e também considera a prevalência de sintomas gastrointestinais e da seletividade alimentar comuns em muitos desses indivíduos. Além disso, a atenção especial a níveis de determinados micronutrientes é crucial para promover melhor qualidade de vida e bem-estar.
Micronutrientes de atenção no autismo:
Em geral, estudos mostram que crianças com TEA apresentam uma ingestão insuficiente de diversos micronutrientes. Como consequência, há maior possibilidade do desenvolvimento de deficiências de vitaminas e minerais em crianças com TEA, que podem ser causadas por diversos fatores, como problemas gastrointestinais, restrições alimentares e outras causas relacionadas ao sistema imunológico.
Algumas pesquisas também já constataram um déficit de metabólitos antioxidantes e de metilação, como a glutationa e S-adenosilmetionina (SAM), em indivíduos com autismo, devido ao nível de estresse oxidativo.
Diversas vias metabólicas são apoiadas por nutrientes específicos, portanto garantir o aporte adequado deles é fundamental. As vias que fornecem a glutationa e o SAM são reguladas por micronutrientes, como folato, vitaminas B6 e B12, além de aminoácidos cisteína e metionina. Nesse sentido, garantir que esses nutrientes sejam ofertados para os pacientes com TEA é importante para auxiliar no tratamento e redução do estado de estresse oxidativo.
Ademais, a seletividade alimentar é uma condição mais prevalentes em crianças com TEA, o que por sua vez interfere diretamente na ingestão alimentar. Por ser caracterizada como um comportamento alimentar mais restritivo, pessoas com autismo e seletividade apresentam repertório de alimentos limitado, o que consequentemente influencia na menor ingestão alimentar e de micronutrientes essenciais.
Dessa maneira, de forma geral, é interessante estar alerta aos níveis de todos os micronutrientes essenciais para o pleno desenvolvimento e funcionamento do organismo desses indivíduos. Além disso, investir, em conjunto com o acompanhamento multidisciplinar com terapeuta ocupacional e fonoaudióloga, por exemplo, em estratégias que visem aumentar a variedade de alimentos consumidos pelo indivíduo de forma gradual.
Conclusão:
Apesar de não haver literatura clara e específica sobre o tipo de alimentação ou melhor dieta que pessoas com autismo devam seguir, priorizar uma alimentação balanceada e equilibrada é primordial para garantir as necessidades diárias e o desenvolvimento adequado.
Referências:
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