Leaky Gut e 5 Condutas para Saúde do Intestino

O Leaky Gut refere-se à disfunção da barreira intestinal e muitas vezes leva à geração da síndrome do intestino permeável em estados crônicos.

Basicamente, o que acontece é o aumento da permeabilidade intestinal, ou seja, permitindo a passagem de patógenos e toxinas, ou moléculas que não deveriam ser absorvidas (como manitol, por exemplo utilizado para avaliar a permeabilidade) do intestino para as vilosidades, ou a absorção excessiva dessas moléculas para a circulação sistêmica, causando inflamação sistêmica de baixo grau.

A disbiose resulta em um aumento da população de bactérias patogênicas que produzem níveis mais altos de lipopolissacarídeos (LPS) e induzem danos às células epiteliais através da produção de citocinas inflamatórias, que é um dos possíveis mecanismos de aumento da permeabilidade intestinal observado na disbiose.

A etiologia do Leaky Gut não é completamente elucidada, mas alguns fatores são capazes de modular a permeabilidade intestinal. Alguns desses fatores, que podem gerar prejuízos à integridade da barreira intestinal e influenciar no aparecimento do Leaky Gut, são: processos inflamatórios, componentes da dieta (excesso de açúcares e gorduras saturadas, por exemplo), fatores intraluminais (ácidos biliares), estresse e alérgenos.

O tratamento é feito pela mudança dos hábitos alimentares e melhora do estilo de vida. Uma maior ingestão de prebióticos, como fibras, frutas e legumes é recomendada por contribuírem para a manutenção da integridade intestinal. Além disso, a ingestão de água é fundamental para a saúde intestinal.

Uma possível suplementação com probióticos pode ser utilizada para restaurar a microbiota e integridade da barreira intestinal. Porém, os estudos ainda são limitados e não existem evidências suficientes sobre algum efeito adverso causado pela suplementação com probióticos.

Além disso, é importante evitar dietas ocidentais, que são em sua maioria ricas em gorduras saturadas, que induzem o aumento dos níveis plasmáticos de LPS das bactérias gram-negativas presentes na parede intestinal.

Pensando nisso, existem algumas condutas importantes para manter a saúde intestinal e melhorar a qualidade de vida. Abaixo estão 5 dessas condutas:

1) Aumento da ingestão de prebióticos:

É recomendada uma maior ingestão de fibras, frutas e legumes. Isso porque esses alimentos oferecem prebióticos, como fibras e compostos bioatiativos, que estimulam seletivamente o crescimento de bactérias e produzem metabólitos (AGCC – Ácidos graxos de cadeia curta), que melhoram a saúde intestinal.

O aumento no consumo de fibras tem sido associado como tratamento para a constipação, além disso, também é observado melhora da frequência de evacuação e trânsito intestinal. O consumo de água também deve acompanhar essa maior ingestão de fibras, para que não ocorra ressecamento das fezes.

2) Prática de exercícios físicos:
Assim como a dieta, a prática de exercícios físicos determina a biodiversidade da microbiota intestinal e exerce efeitos de proteção, reduzindo o risco de câncer de cólon, diverticulose e doença inflamatória intestinal. Porém, é necessário cuidado com o exercício intenso em excesso, pois pode promover o efeito inverso através do aumento de cortisol e da permeabilidade intestinal.

3) Atenção ao consumo excessivo de proteínas:

É necessário cuidado com o consumo excessivo de proteínas, isso porque é um fator que pode provocar um desequilíbrio na microbiota intestinal com o aumento do número de bactérias gram-negativas, fermentação e produção de metabólitos, como o N-óxido de trimetilamina.

Em alimentos fontes de proteína, principalmente de origem animal, são encontrados grandes quantidades de aminoácidos como a colina e L-carnitina, que quando não são totalmente digeridos, são utilizados como substrato para as bactérias intestinais, gerando a produção de trimetilamina (TMA). Posteriormente, esse metabólito chega ao fígado, onde sofrerá mais uma reação, levando a formação do TMAO. O aumento de TMAO é associado ao aumento de risco de doenças cardiovasculares e dislipidemia.

4) Mastigação:

A falta de mastigação faz com que os alimentos tenham sua digestão prejudicada, gerando fermentação, produção de gases e desconfortos abdominais. Em associação com o excesso de proteínas, a falta de mastigação aumenta a putrefação (degradação de proteínas), que leva a formação de gases com odores desagradáveis e piora da saúde intestinal.

5) Controle do Estresse/Cortisol:

O estresse afeta a saúde por meio do seu impacto nas bactérias que habitam a microbiota. O estresse de maneira crônica aumenta a permeabilidade intestinal. Por esse motivo, estratégias como a prática de meditação podem auxiliar na redução do estresse.

Referências:

1) doi: 10.1097/MCG.0000000000001588

2) Monda V, Villano I, Messina A, Valenzano A, Esposito T, Moscatelli F, Viggiano A, Cibelli G, Chieffi S, Monda M, Messina G. Exercise Modifies the Gut Microbiota with Positive Health Effects. Oxid Med Cell Longev. 2017;2017:3831972. doi: 10.1155/2017/3831972. Epub 2017 Mar 5. PMID: 28357027; PMCID: PMC5357536.

3) Rodríguez-Daza MC, Pulido-Mateos EC, Lupien-Meilleur J, Guyonnet D, Desjardins Y, Roy D. Polyphenol-Mediated Gut Microbiota Modulation: Toward Prebiotics and Further. Front Nutr. 2021 Jun 28;8:689456. doi: 10.3389/fnut.2021.689456. PMID: 34268328; PMCID: PMC8276758.

4) Rinninella E, Cintoni M, Raoul P, Lopetuso LR, Scaldaferri F, Pulcini G, Miggiano GAD, Gasbarrini A, Mele MC. Food Components and Dietary Habits: Keys for a Healthy Gut Microbiota Composition. Nutrients. 2019 Oct 7;11(10):2393. doi: 10.3390/nu11102393. PMID: 31591348; PMCID: PMC6835969.

5) Madison A, Kiecolt-Glaser JK. Stress, depression, diet, and the gut microbiota: human-bacteria interactions at the core of psychoneuroimmunology and nutrition. Curr Opin Behav Sci. 2019 Aug;28:105-110. doi: 10.1016/j.cobeha.2019.01.011. Epub 2019 Mar 25. PMID: 32395568; PMCID: PMC7213601.

6) Usuda H, Okamoto T, Wada K. Leaky Gut: Effect of Dietary Fiber and Fats on Microbiome and Intestinal Barrier. Int J Mol Sci. 2021 Jul 16;22(14):7613. doi: 10.3390/ijms22147613. PMID: 34299233; PMCID: PMC8305009.

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