Que tal começar o dia adicionando um pouco de chia e aveia nas frutas, acompanhada de uma xícara de chá-verde?
No almoço, um prato principal acompanhado com brócolis, couve-flor e cenoura temperados com azeite extravirgem?
No lanche da tarde, um bowl de açaí com castanhas, nozes e linhaça?
E para finalizar o dia, filé de peixe assado com tomates?
Apesar de alimentos básicos e simples, todos eles têm algo em comum: são alimentos funcionais.
Os alimentos funcionais são caracterizados por apresentarem nutrientes e não nutrientes que, além de nutrir, proporcionam efeitos benéficos à saúde, como o controle da glicemia e ação antioxidante, ou impactam na redução de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e câncer. Eles contêm os chamados compostos bioativos, como os polifenóis, carotenoides e licopeno, sendo os responsáveis pelas propriedades positivas no organismo.
Alimentos funcionais na nutrição clínica:
Atualmente, é cada vez mais comum encontrarmos quadros de inflamação crônica, resistência à insulina, dislipidemia, síndrome metabólica ou distúrbios gastrointestinais. Nesse sentido, o papel dos alimentos funcionais na nutrição clínica ganha destaque ao auxiliar a reduzir marcadores inflamatórios e melhorar parâmetros metabólicos.
A inclusão desses alimentos é uma valiosa estratégia para a saúde e para promoção da qualidade de vida do paciente. Confira alguns exemplos de alimentos funcionais e seus benefícios:
- Semente de chia: rica em compostos fenólicos (como os flavonoides e antocianinas), que exercem ação hipoglicemiante, anti-inflamatória, antioxidante, anti-hipertensiva e cardioprotetora;
- Aveia: fonte de betaglucana, uma fibra alimentar que auxilia na redução do colesterol;
- Chá-verde: contêm polifenóis (como catequinas e antocianinas), contribuindo com ação antioxidante e redução do risco de câncer, também melhoram a pressão arterial e o metabolismo da glicose;
- Brócolis e couve-flor: ambos são vegetais brássicos, contendo glucosinolatos e polifenóis. Promovem efeito antioxidante, além de reduzir o risco de desenvolvimento de câncer, diabetes e doenças cardiovasculares;
- Cenoura: rica em carotenoides, especialmente betacaroteno, que confere a cor alaranjada ao vegetal. Seu consumo é associado ao efeito antioxidante, proteção ao DNA e aumento da função imunológica;
- Azeite de oliva extravirgem: fonte de polifenóis (como tocoferóis), melhora o perfil lipídico, reduz a inflamação crônica e o estresse oxidativo;
- Açaí: contém antocianinas, flavonoides e ácidos fenólicos, responsáveis pelos efeitos antioxidante e anti-inflamatório;
- Castanhas e nozes: fazem parte do grupo das oleaginosas, são ricas em ácidos graxos instaurados, fibras alimentares e compostos fenólicos, e contribuem para a melhora do perfil lipídico e possuem ação antioxidante;
- Semente de linhaça: fonte de ômega 3 e fibras alimentares, seu consumo está associado a melhora do colesterol, glicemia e na inflamação, além da ação anticancerígena e antioxidante;
- Tomate: rico em carotenoides, principalmente licopeno, que proporciona a cor avermelhada. Possui ação antioxidante e protege o DNA de danos de radicais livres.
Como utilizar alimentos funcionais na prática da nutrição funcional:
A aplicação da nutrição funcional no atendimento nutricional é baseada nos princípios:
- Individualidade bioquímica;
- Tratamento centrado no paciente;
- Equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes;
- Saúde como vitalidade positiva;
- Inter-relações pela teia de interconexões metabólicas.
A partir deles e da integração com os sinais e sintomas apresentados pelo paciente e da análise individualizada de cada caso, é possível determinar condutas nutricionais personalizadas e incluir alimentos funcionais estrategicamente.
Por exemplo, em pacientes com dislipidemia, opções como azeite de oliva extravirgem e aveia podem contribuir para a proteção cardiovascular através da melhora do perfil lipídico.
Conclusão:
Portanto, os alimentos funcionais são uma ferramenta estratégica na prática clínica, que podem ser usados na prática da nutrição funcional, com foco tanto na promoção de saúde como no tratamento de doenças.
Além disso, doenças crônicas não transmissíveis estão cada vez mais frequentes entre a população, sendo a alimentação um fator determinante para a prevenção e tratamento delas. Nesse contexto, a inclusão de alimentos funcionais é uma estratégia nutricional valiosa para a promoção de saúde e bem-estar do paciente.
Referências:
- Costa, Neuza Maria Brunono; Rosa, Carla de Oliveira Barbosa. Alimentos funcionais: compostos bioativos e efeitos fisiológicos. 2 ed – Rio de Janeiro: Rubio, 2016.
- Chaves, Daniela Fojo Seixas. Compostos bioativos dos alimentos. São Paulo: Valéria Pachoal Editora Ltda. 2015.
- Souza, N. et al. Nutrição Funcional: princípios e aplicação na prática clínica. ACTA Portuguesa de Nutrição 07 (2016) 34-49.

