Entender e realizar o preparo para bioimpedância de forma correta é fundamental para evitar erros na avaliação corporal, visto que a bioimpedância elétrica (BIA) é um dos métodos de avaliação da composição corporal mais conhecidos na prática clínica.
O seu mecanismo de funcionamento envolve a passagem de uma corrente elétrica de baixa intensidade pelo organismo. Entre os resultados fornecidos ou estimados pelo equipamento podem estar quantidade de água corporal, massa livre de gordura e massa de gordura.
Entretanto, alguns fatores podem interferir nos resultados obtidos, como, por exemplo, alimentação recente, consumo de líquidos, prática de exercício físico, álcool e até o esvaziamento da bexiga podem modificar temporariamente a distribuição de água corporal e, como resultado, influenciar os resultados.
Por isso, seguir corretamente o preparo para bioimpedância é importante para padronizar as condições da avaliação e permitir resultados mais consistentes, especialmente para comparar diferentes exames ao longo do acompanhamento.
Mas quais são as principais recomendações? Quanto tempo é preciso ficar em jejum? Pode tomar café ou água? E é permitido treinar antes da avaliação?
Confira os principais cuidados antes de realizar a bioimpedância no texto abaixo.
Por que é necessário fazer o preparo para bioimpedância?
A bioimpedância utiliza a água presente nos tecidos corporais para mapear e obter informações relacionadas à composição corporal de forma indireta por meio da aplicação de uma corrente elétrica.
Durante o exame de bioimpedância acontece o envio de um sinal elétrico para o corpo, que utiliza a água presente nos tecidos corporais como um “caminho”. Os músculos e órgãos possuem alto teor de água, então a eletricidade passa fácil por eles. Por outro lado, o tecido gorduroso e os ossos apresentam pouca água e, portanto, dificultam a passagem da corrente elétrica.
Dessa forma, o aparelho mede essa resistência que o corpo oferece e, combinando esse dado com o peso corporal, altura e idade, calcula a quantidade de massa magra e massa de gordura que o indivíduo apresenta.
Visto que a quantidade de água e os eletrólitos influenciam a condução da corrente elétrica, alterações no estado de hidratação antes do teste podem interferir nas medidas.
Além disso, fatores como alimentação, consumo de bebidas, prática de exercícios físicos recente, posição corporal e temperatura também podem afetar os parâmetros obtidos pela BIA. Por isso, a padronização das condições antes do exame é importante para reduzir fontes de variação e garantir um resultado mais confiável.
Dessa forma, o preparo para bioimpedância se torna ainda mais relevante quando o objetivo é acompanhar mudanças na composição corporal ao longo do tempo. Afinal, realizar as avaliações em condições semelhantes facilita a comparação entre os resultados.
Checklist: como se preparar para o exame de bioimpedância?
As orientações podem variar conforme o equipamento utilizado e o protocolo adotado pelo profissional. Por isso, as recomendações recebidas antes da realização do exame devem ser seguidas corretamente.
De maneira geral, alguns cuidados fazem parte do preparo para bioimpedância:

Para avaliações de acompanhamento, também pode ser interessante realizar os exames em condições semelhantes e, quando possível, em horários próximos.
Por que alimentação, hidratação e exercício podem interferir na bioimpedância?
Em primeiro lugar, o consumo recente de alimentos e bebidas, a ingestão de cafeína e a prática de exercícios físicos podem modificar temporariamente a quantidade e a distribuição de líquidos corporais, interferindo nas condições da avaliação por bioimpedância.
Por isso, o período de jejum deve seguir o protocolo adotado para o exame, assim como as orientações relacionadas à ingestão de água e cafeína. De modo geral, o objetivo é evitar mudanças importantes no estado de hidratação e realizar a avaliação em condições padronizadas.
Além disso, o exercício físico também merece atenção, principalmente quando intenso, pois pode provocar sudorese e modificar temporariamente a distribuição de líquidos, o fluxo sanguíneo e a temperatura corporal. Pelo mesmo motivo, é necessário evitar atividades como sauna no período indicado antes da avaliação.
No entanto, os intervalos recomendados para cada cuidado podem variar conforme o equipamento e o protocolo utilizado. Assim, no preparo para bioimpedância, seguir as orientações específicas fornecidas pelo profissional responsável é crucial.
É necessário ficar em repouso antes da bioimpedância?
Depende do tipo de equipamento e do protocolo utilizado.
Na bioimpedância realizada em decúbito, protocolos padronizados costumam incluir um período de repouso antes da medição para permitir a redistribuição dos líquidos corporais após mudanças de posição. Protocolos de avaliação podem incluir períodos de repouso em torno de 5 a 10 minutos.
Durante a avaliação, a posição dos braços e pernas, o contato entre os membros e a colocação dos eletrodos também precisam seguir o protocolo do equipamento.
Por isso, esse cuidado não depende apenas do paciente, o profissional responsável pela avaliação também precisa padronizar a técnica.
O ciclo menstrual pode alterar a bioimpedância?
Alterações na retenção de líquidos ao longo do ciclo menstrual podem influenciar os resultados da bioimpedância, já que o método é sensível à quantidade e à distribuição da água corporal.
Em algumas mulheres, especialmente quando há retenção hídrica perceptível, essas alterações podem modificar temporariamente as estimativas de composição corporal. Por isso, é importante informar essa condição ao profissional para que ele considere esse fator ao interpretar os resultados.
Consequentemente, quando o nutricionista utiliza a bioimpedância para acompanhar a evolução da composição corporal, também é importante procurar manter condições semelhantes entre as avaliações. Dependendo do protocolo adotado, por exemplo, ele pode recomendar a realização das medições em períodos semelhantes do ciclo ou adiar o exame quando houver retenção hídrica importante.
Quais outros cuidados são necessários no momento do exame?
Além do preparo para bioimpedância realizado nas horas anteriores, alguns cuidados no momento da avaliação ajudam a padronizar a medição.
Na bioimpedância com eletrodos, por exemplo, a pele deve estar limpa e seca nos locais de contato. Nesse sentido, pode ser necessário remover cremes, óleos ou outros produtos dessas regiões antes da avaliação, conforme a orientação do equipamento utilizado.
Da mesma forma, deve-se retirar acessórios metálicos quando solicitado pelo profissional. Além disso, a posição corporal e a colocação dos eletrodos devem seguir o protocolo específico do equipamento.
A temperatura do ambiente também merece atenção, pois condições muito quentes ou frias podem modificar a circulação periférica e interferir nas medidas. Por isso, recomenda-se que a realização da avaliação em ambiente com temperatura confortável e estável.
Em quais situações deve-se interpretar os resultados da bioimpedância com cautela?
Além dos cuidados relacionados ao preparo para bioimpedância, algumas condições podem reduzir a precisão das estimativas de composição corporal e devem ser consideradas na interpretação dos resultados. Entre elas estão:

Por essa razão, os resultados da bioimpedância não devem ser analisados isoladamente. O estado de hidratação, o IMC, a condição clínica, as limitações do equipamento e das equações utilizadas precisam ser considerados pelo profissional durante a interpretação.
Como fazer o preparo para bioimpedância corretamente?
O preparo para bioimpedância tem como objetivo reduzir fatores que possam interferir nas medidas e permitir que avaliações realizadas em diferentes momentos sejam comparadas em condições semelhantes.
Por isso, antes do exame, é importante seguir as orientações relacionadas ao jejum, hidratação, consumo de cafeína e álcool, exercício físico, esvaziamento da bexiga e repouso. Também devem ser informadas ao profissional condições que possam interferir na realização ou na interpretação da avaliação.
O protocolo pode variar conforme o equipamento utilizado. Dessa forma, além de seguir as recomendações gerais, é fundamental respeitar as orientações fornecidas pelo profissional responsável pela avaliação.
Quando a bioimpedância é realizada periodicamente, manter condições semelhantes de horário, alimentação, hidratação e atividade física também ajuda a reduzir variações entre as medidas e favorece um acompanhamento mais consistente da composição corporal.
Referências:
- SAMPAIO, Lílian Ramos (org.). Avaliação nutricional. Salvador: EDUFBA, 2012. 158 p.
- ROSSI, Luciana; CARUSO, Lúcia; GALANTE, Andrea Polo. Avaliação nutricional: novas perspectivas. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015
- Associação brasileira de nutrologia sociedade brasileira de nutrição parenteral e enteral. Projeto Diretrizes: utilização da bioimpedância para avaliação da massa corpórea, 2009.

