Mioma uterino: sintomas, causas e como a Nutrição pode ajudar

Na imagem, uma médica usa de equipamento ilustrativo para explicar o que é um mioma uterino

O mioma uterino, também conhecido como Leiomiomas Uterinos, é uma condição comum em mulheres, especialmente naquelas em idade reprodutiva. Trata-se de um tumor benigno que se desenvolve a partir das células do músculo liso no útero.

Estima-se que grande parte das mulheres desenvolvam miomas uterinos ao longo da vida, embora muitas permaneçam sem sintomas ou descubram a condição apenas em exames ginecológicos de rotina. 

Além do acompanhamento médico, a nutrição na saúde da mulher com mioma tem ganhado atenção nos últimos anos. Isso porque a alimentação pode contribuir para o controle de fatores hormonais, inflamatórios e metabólicos associados ao desenvolvimento dos miomas. 

O texto a seguir abordará o que causa mioma uterino, quais são os sintomas e como atender paciente com mioma uterino na prática clínica, incluindo o papel da alimentação.

O que é mioma uterino?

O mioma uterino é um tumor benigno formado por células musculares do útero. Essas estruturas podem variar de tamanho, número e localização no útero, podendo aparecer isoladamente ou em múltiplos nódulos. 

Em geral, os miomas são classificados de acordo com sua localização no útero: 

  • Miomas Submucosos: localizados na cavidade uterina;
  • Miomas Intramurais: localizados dentro da parede do útero;
  • Miomas Subserosos: localizados na superfície do útero. 

Cerca de 50% das mulheres em idade reprodutiva são afetadas por miomas uterinos, o que mostra como essa condição é mais comum do que muitas pessoas imaginam.

Mioma uterino: sintomas mais comuns

Embora nem todas as mulheres apresentem sintomas, para algumas eles impactam diretamente a qualidade de vida e bem-estar, trazendo desafios emocionais, físicos e sociais.  

Em muitos casos, o mioma uterino é descoberto durante exames ginecológicos de rotina. Por isso, conhecer os sinais e fazer um acompanhamento médico periodicamente é essencial para o manejo adequado da condição e para manter a saúde e o equilíbrio do dia a dia.

Quando presentes, os sintomas mais frequentes incluem:

  • Sangramento menstrual intenso ou prolongado; 
  • Dor ou pressão na região pélvica; 
  • Aumento do volume abdominal; 
  • Sintomas urinários ou intestinais, devido à compressão de órgãos próximos;
  • Anemia associada ao sangramento excessivo; 
  • Dificuldade para engravidar, em alguns casos. 

A abordagem da paciente com mioma uterino pode ser clínica ou cirúrgica, sendo definida a partir dos sintomas apresentados, do impacto na qualidade de vida e do contexto reprodutivo da paciente. 

Mesmo sendo uma condição frequente, nem todas as mulheres com mioma uterino necessitam de tratamento. Em muitos casos, os miomas permanecem assintomáticos e são apenas acompanhados em consultas ginecológicas de rotina.

O que causa o mioma uterino

Ainda não existe uma única causa definida para o desenvolvimento de miomas uterinos, mas diversos fatores estão associados ao seu desenvolvimento.

Apesar disso, alguns estudos destacam o papel dos hormônios reprodutivos, anormalidades no miométrio e variações genéticas como fatores que podem predispor ao surgimento desses tumores benignos.

Entre os principais fatores envolvidos estão: 

  • Influência hormonal, especialmente do estrogênio; 
  • Predisposição genética;
  • Idade; 
  • Obesidade e alterações metabólicas, como síndrome dos ovários policísticos (SOP) e diabetes;
  • Presença de hipertensão arterial;
  • Menarca precoce;
  • Baixa paridade (poucas gestações);
  • Fatores ambientais e inflamatórios. 

Como os miomas são considerados tumores estrogênio-dependentes, ou seja, seu crescimento costuma ser estimulado por estrogênio, eles são raros antes da primeira menstruação e tendem a diminuir após a menopausa. 

Além disso, fatores metabólicos associados à inflamação crônica, como obesidade e resistência à insulina, também podem influenciar o ambiente hormonal e favorecer o desenvolvimento dos miomas.

Esse contexto reforça a importância de estratégias de cuidado que incluam estilo de vida, alimentação e acompanhamento nutricional.

Alimentação para quem tem mioma uterino

Ainda não existe um protocolo alimentar ou uma dieta específica comprovados para o tratamento ou prevenção dos miomas uterinos

A alimentação para quem tem mioma uterino não substitui o tratamento médico, mas pode atuar como uma importante estratégia complementar, modulando o equilíbrio hormonal e reduzindo sintomas.

Estudos sugerem que padrões alimentares ricos em frutas, verduras, fibras e compostos antioxidantes podem estar associados a menor risco de desenvolvimento de miomas. 

Por outro lado, dietas com alta ingestão de gorduras saturadas e carnes vermelhas podem aumentar níveis de estrogênio circulante e favorecer o crescimento dos miomas. 

Nutrientes importantes na nutrição para pacientes com mioma uterino

Na nutrição na saúde da mulher com mioma, alguns nutrientes têm sido estudados pelo seu potencial papel no manejo da doença. Entre eles:

  • Vitamina D: algumas evidências destacam o papel benéfico desse micronutriente na regulação do crescimento do mioma, enquanto baixos níveis dessa vitamina têm sido associados a maior risco de desenvolvimento.
  • Antioxidantes: presentes em frutas, verduras e alimentos vegetais, ajudam a reduzir o estresse oxidativo e favorecem um ambiente menos pró-inflamatório;
  • Polifenóis e compostos bioativos: substâncias presentes em alimentos vegetais, como chá verde e frutas, que têm sido investigadas por possíveis efeitos contra o crescimento dos miomas.

Apesar dessas evidências, ainda são necessários mais estudos para estabelecer recomendações específicas.

Conclusão

O mioma uterino é uma condição comum na saúde da mulher e pode apresentar diferentes manifestações clínicas. Embora muitas mulheres permaneçam assintomáticas, outras podem apresentar sintomas que impactam significativamente a qualidade de vida.

O manejo da condição envolve avaliação médica e pode incluir diferentes estratégias terapêuticas. Nesse contexto, a nutrição na saúde da mulher com mioma surge como uma abordagem complementar relevante.

Uma alimentação equilibrada, rica em alimentos in natura e minimamente processados, associada a hábitos de vida saudáveis pode contribuir para o controle de fatores metabólicos e inflamatórios envolvidos na progressão da doença.

Assim, o acompanhamento multiprofissional, com ginecologista e nutricionista, é fundamental para o cuidado da paciente.

Referências

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