Mastigar chiclete faz bem? Essa é uma dúvida comum entre as pessoas, principalmente para as que utilizam o chiclete para refrescar o hálito, aliviar a ansiedade ou tentar controlar a fome entre as refeições.
Embora seja um hábito bastante difundido, seus efeitos sobre o organismo vão além da cavidade oral e envolvem diferentes mecanismos relacionados à digestão, à saciedade e até mesmo ao sistema nervoso.
Estudos mostram que a mastigação estimula respostas fisiológicas importantes, como aumento da produção de saliva, ativação da digestão e alterações na liberação de hormônios envolvidos no controle do apetite.
Todavia, mascar chiclete em excesso também pode favorecer desconfortos gastrointestinais e sobrecarga da musculatura da mastigação em algumas pessoas.
Neste texto, você vai entender se mastigar chiclete faz bem, se existem benefícios, quais cuidados considerar e em quais situações esse hábito não é recomendado.
O que acontece no organismo quando mascamos chiclete?
Mesmo sem ingerir alimentos, o ato de mastigar desencadeia uma série de respostas neurofisiológicas associadas ao processo de digestão.
Ou seja, a mastigação é capaz de ativar reflexos neurais, mediados principalmente pelo nervo vago, preparando o sistema digestório para receber alimentos.
Nesse sentido, ocorre aumento da produção de saliva, secreção de suco gástrico e de outras secreções digestivas, além de estímulo da motilidade gastrointestinal. Trata-se, portanto, de um mecanismo fisiológico normal que prepara o organismo para o processo digestivo.
Esse efeito é tão consistente que, em alguns protocolos hospitalares, mascar chiclete sem açúcar é uma estratégia usada após determinados procedimentos cirúrgicos para estimular a recuperação da motilidade intestinal e favorecer o retorno da função gastrointestinal.
No entanto, isso não significa que mascar chiclete melhore a digestão ou trate problemas digestivos e que deva ser um hábito rotineiro.
Mascar chiclete ajuda a controlar a fome?
A saciedade é influenciada por uma série de fatores, entre eles o ato de mastigar e o tempo dedicado à mastigação dos alimentos. Ou seja, quanto mais lenta e cuidadosa for a mastigação, menor será a velocidade de ingestão, permitindo que os sinais de saciedade sejam percebidos de forma mais eficaz pelo organismo.
Diversos ensaios clínicos demonstram que a mastigação prolongada pode reduzir temporariamente a sensação de fome e o desejo de comer.
Por isso, muitas pessoas se perguntam se mastigar chiclete faz bem como estratégia para controlar o apetite entre as refeições.
Esse efeito parece estar relacionado tanto ao maior tempo de estimulação oral quanto a alterações na liberação de hormônios envolvidos na regulação do apetite, como o GLP-1 e a colecistocinina (CCK), além da redução da grelina, conhecida como o “hormônio da fome”.
Apesar desses resultados, revisões sistemáticas recentes mostram que os efeitos sobre a ingestão calórica e a perda de peso ainda são inconsistentes. Assim, não se deve considerar o ato de mascar chiclete como uma estratégia isolada para emagrecimento, mas pode auxiliar algumas pessoas no controle da vontade de beliscar entre as refeições.
Embora alguns estudos indiquem benefícios sobre a saciedade, isso não significa que mastigar chiclete faz bem para todas as pessoas ou em qualquer situação.
Mascar chiclete pode ajudar na ansiedade?
Outro aspecto bastante investigado é a relação entre o hábito de mascar chiclete, estresse e ansiedade.
O movimento repetitivo da mastigação parece atuar promovendo alterações em regiões cerebrais relacionadas à atenção, memória e regulação emocional.
Alguns estudos observaram redução da percepção de estresse e ansiedade em pessoas que mascavam chiclete regularmente durante situações de maior tensão.
Entretanto, esse efeito não substitui tratamentos psicológicos ou médicos quando há transtornos de ansiedade. O chiclete pode funcionar como uma estratégia complementar de alívio momentâneo, mas não deve ser utilizado como tratamento.
Existem desvantagens em mascar chiclete?
Embora existam alguns benefícios de mascar chiclete em algumas situações, todavia, o hábito também apresenta limitações e preocupações.
Uma delas é a aerofagia, caracterizada pela ingestão de pequenas quantidades de ar durante a mastigação. Dessa forma, esse excesso de ar pode favorecer sintomas como:
- Distensão abdominal;
- Sensação de estômago cheio;
- Arrotos;
- Aumento da produção de gases.
Esses sintomas tendem a ser mais frequentes em pessoas com dispepsia funcional ou outras doenças gastrointestinais.
Além disso, muitos chicletes sem açúcar contêm adoçantes ou polióis, como sorbitol, manitol ou xilitol, que, quando consumidos em excesso, podem provocar desconforto abdominal e efeito laxativo em indivíduos mais sensíveis.
Mascar chiclete pode prejudicar a mandíbula?
A mastigação constante é um hábito parafuncional, ou seja, uma atividade repetitiva que não está relacionada diretamente à alimentação. Quando realizada por longos períodos ou de forma excessiva, pode aumentar a sobrecarga da musculatura mastigatória.
Nesse sentido, para pessoas com bruxismo, dores na mandíbula, estalos articulares ou disfunção temporomandibular (DTM), o consumo frequente de chiclete pode intensificar sintomas como fadiga muscular, dor facial e cefaleia.
Mastigar chiclete faz bem para o estômago?
Mastigar chiclete, por si só, não faz necessariamente bem para o estômago, mas também não costuma fazer mal para a maioria das pessoas. Seus efeitos podem ser positivos ou negativos, dependendo da frequência de uso, da presença de doenças gastrointestinais e do tipo de chiclete.
Para pessoas saudáveis, mascar chiclete sem açúcar com moderação costuma ser seguro e pode até ajudar a aliviar sintomas leves de refluxo quando utilizado após as refeições.
No entanto, o hábito não melhora a saúde do estômago nem previne doenças gastrointestinais. Já quem apresenta gases frequentes, distensão abdominal ou sensibilidade aos adoçantes dos chicletes pode perceber piora dos sintomas.
Em resumo, o chiclete pode ser um aliado em situações específicas, mas não deve ser considerado uma estratégia para “proteger” ou “fortalecer” o estômago.
O mais importante para a saúde gastrointestinal continua sendo manter uma alimentação equilibrada, mastigar bem os alimentos e procurar avaliação médica quando houver sintomas persistentes como dor, azia frequente ou desconforto abdominal.
Chiclete com açúcar ou sem açúcar: existe diferença?
Ao avaliar se mastigar chiclete faz bem, também é importante considerar o tipo de produto utilizado.
Os chicletes com açúcar contribuem para o aumento da exposição dos dentes aos açúcares, favorecendo o desenvolvimento de cáries quando a higiene bucal não é adequada.
Já os chicletes sem açúcar costumam utilizar adoçantes ou polióis, como xilitol, sorbitol ou manitol. Além de reduzirem o risco de cárie, alguns estudos mostram que o aumento da salivação promovido pela mastigação pode ajudar na neutralização dos ácidos presentes na cavidade oral. 5
Contudo, o consumo excessivo de chicletes contendo grandes quantidades de polióis pode causar desconforto gastrointestinal em pessoas mais sensíveis.
Assim, embora as versões sem açúcar sejam geralmente preferidas quando o objetivo é mascar chiclete regularmente, o consumo deve ocorrer com moderação.
Qual é a melhor forma de consumir chiclete?
Se a dúvida é se mastigar chiclete faz bem, alguns cuidados ajudam a aproveitar seus possíveis benefícios sem aumentar o risco de efeitos indesejados. Algumas recomendações podem incluir:
- Dar preferência aos chicletes sem açúcar;
- Evitar permanecer mastigando por períodos muito prolongados;
- Não utilizar o chiclete como substituto das refeições;
- Observar o aparecimento de desconfortos digestivos, como gases ou distensão abdominal;
- Interromper o uso caso ocorram dores na mandíbula ou dificuldade para mastigar.
Essas medidas ajudam a reduzir os possíveis efeitos adversos e permitem que o chiclete seja utilizado apenas como um complemento à rotina, e não como uma estratégia principal para controlar a fome ou promover emagrecimento.
Então, mastigar chiclete faz bem?
A resposta depende da frequência de uso, do contexto e das características individuais.
Em pessoas saudáveis, mascar chiclete sem açúcar pode estimular a salivação, ativar mecanismos fisiológicos da digestão, reduzir temporariamente a sensação de fome e ajudar algumas pessoas no controle da ansiedade leve.
Por outro lado, o consumo excessivo pode favorecer a aerofagia, desconforto gastrointestinal e sobrecarga da musculatura da mastigação, principalmente em pessoas predispostas.
Assim, mastigar chiclete faz bem quando o hábito é realizado com moderação e faz parte de um estilo de vida saudável.
Em resumo, como ocorre com diversos comportamentos relacionados à alimentação, os benefícios dependem do contexto e não substituem uma alimentação equilibrada nem o acompanhamento de profissionais de saúde quando necessário.
Referências:
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