Recentemente, a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) passou por uma importante atualização de nomenclatura, mudança que promete gerar grandes impactos na compreensão clínica e no tratamento da condição.
A partir de agora, essa condição de saúde passa a ser oficialmente chamada de Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A alteração histórica busca refletir o verdadeiro caráter sistêmico da síndrome, deixando para trás a ideia de que o problema estaria relacionado somente à presença de “ovários policísticos”.
A mudança foi apresentada em Maio de 2026 após um consenso científico internacional e busca representar de forma mais precisa os impactos hormonais, metabólicos e sistêmicos da condição, que vão muito além dos ovários.
Além disso, o novo termo pretende reduzir limitações do nome anterior, já que muitas mulheres diagnosticadas não apresentam ovários policísticos ao ultrassom, enquanto outras apresentam os cistos sem necessariamente terem a síndrome.
No texto a seguir, você vai entender melhor o que é a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina e por que ocorreu essa mudança de nome. Além disso, serão abordados os impactos hormonais e metabólicos da condição, como ocorre o diagnóstico, tratamento e as reais mudanças para profissionais de saúde e pacientes.
Por que a SOP mudou de nome?
A mudança da nomenclatura de Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) surgiu depois de um consenso global envolvendo diversas organizações científicas internacionais.
O objetivo dessa alteração foi tornar o nome da condição mais compatível com o conhecimento científico atual sobre a doença.
Por muito tempo, a SOP foi considerada principalmente uma doença ginecológica. No entanto, evidências científicas crescentes vêm mostrando que a síndrome envolve alterações complexas, relacionadas a outros distúrbios endócrinos na insulina, hormônios andrógenos, neuroendócrinos e ovarianos.
Diante disso, o termo “ovários policísticos” passou a ser considerado limitado por diversos pesquisadores, especialmente porque nem todas as pacientes apresentam ovários policísticos ao ultrassom. Além disso, muitas mulheres podem apresentar cistos ovarianos sem necessariamente desenvolver a síndrome.
Na prática, os especialistas defendem que o nome SOP acaba reduzindo a compreensão da condição clínica apenas ao aspecto ovariano, ignorando os fatores metabólicos importantes, como a resistência à insulina, inflamação crônica, alterações cardiovasculares e o risco aumentado de desenvolver diabetes mellitus tipo 2.
Portanto, a nova nomenclatura busca representar mais fielmente o caráter sistêmico da condição clínica, reforçando que a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) não afeta apenas os ovários.
O que significa SOMP?
O novo nome da condição foi pensado pelos pesquisadores para representar de forma mais precisa os diferentes mecanismos envolvidos na síndrome, assim como os impactos que ela exerce no organismo.
Dessa forma, o nome Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) foi o escolhido, e cada termo ajuda a explicar as características importantes da condição:
- Síndrome: indica um conjunto de sinais, sintomas e alterações clínicas, que podem variar entre as pacientes;
- Ovariana: porque a condição apresenta grande impacto sobre a função ovariana e reprodutiva;
- Metabólica: por conta de sua forte relação com diversos mecanismos metabólicos, como resistência à insulina, alterações glicêmicas, inflamação e risco cardiometabólico;
- Poliendócrina: pois envolve disfunção de múltiplos hormônios e diferentes sistemas endócrinos do organismo, não exclusivamente os ovários.
Segundo os pesquisadores, o termo SOMP ajudará a ampliar a compreensão clínica, auxiliará no diagnóstico mais preciso e tratamento assertivo das pacientes com a condição.
Além disso, essa mudança para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina busca melhorar a conscientização da população em geral, além dos profissionais de saúde, sobre a importância de um acompanhamento mais amplo e multidisciplinar.
Quais os principais sintomas da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina?
Os sinais e sintomas da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) podem variar bastante entre as pacientes, um dos motivos para a dificuldade da definição da nomenclatura e diagnóstico adequado.
Enquanto algumas pacientes podem apresentar sintomas mais leves, outras convivem com sintomas metabólicos importantes, que impactam diretamente a qualidade de vida.
Entre os sintomas mais comuns, estão:
- Irregularidades menstruais;
- Ausência de ovulação;
- Oligomenorreia (ausência de menstruação por 90 dias ou mais, ou a ocorrência de menos de 9 ciclos menstruais em um ano);
- Infertilidade;
- Hirsutismo (crescimento aumentado de pelos em regiões de padrão masculino);
- Queda de cabelo no couro cabeludo;
- Acne;
- Hormônios masculinos aumentados nos exames bioquímicos;
- Resistência à insulina;
- Pele oleosa.
Além disso, muitas pacientes apresentam dificuldade para perda de peso mesmo com mudanças alimentares e prática de atividade física.
Os impactos hormonais e metabólicos da SOMP no organismo
A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) afeta cerca de 170 milhões de mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo. Dessa forma, entender os mecanismos envolvidos na fisiopatologia da SOMP é fundamental para estabelecer estratégias de tratamento amplas e individualizadas.
Atualmente, as evidências mostram que a SOMP envolve alterações hormonais, metabólicas e inflamatórias complexas, que podem impactar diferentes sistemas do organismo ao longo da vida.
Entre os principais mecanismos envolvidos, destacam-se:
Resistência à insulina e alterações metabólicas:
Considerada uma das alterações metabólicas mais frequentes na SOMP, a resistência à insulina pode afetar cerca de 70% das mulheres diagnosticadas.
Nesse quadro, o organismo apresenta dificuldade em responder adequadamente à ação da insulina, fazendo com que o pâncreas aumente sua produção desse hormônio.
Como consequência, o excesso de insulina pode estimular maior produção de andrógenos, contribuindo para alterações menstruais, acne, crescimento excessivo de pelos e dificuldade de ovulação.
Alterações hormonais e hiperandrogenismo:
Outro ponto importante da SOMP é o hiperandrogenismo, caracterizado pelo aumento dos hormônios andrógenos no organismo feminino.
Essa alteração hormonal pode favorecer sintomas como:
- Acne;
- Oleosidade da pele;
- Queda de cabelo;
- Crescimento excessivo de pelos;
- Irregularidade menstrual.
Além disso, alterações neuroendócrinas envolvendo o eixo hipotálamo-hipófise-ovário também participam da fisiopatologia da síndrome, contribuindo para disfunções ovulatórias e alterações reprodutivas.
Impactos além da saúde reprodutiva:
Embora a condição seja frequentemente associada aos impactos na saúde reprodutiva, os impactos da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina vão muito além.
Estudos mostram associação entre a SOMP e maior risco de:
- Diabetes mellitus tipo 2;
- Doença cardiovascular;
- Esteatose hepática;
- Hipertensão arterial;
- Apneia do sono;
- Ansiedade e depressão.
Por isso, atualmente, especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar e contínua, considerando não apenas os sintomas ginecológicos, mas também os impactos metabólicos e sistêmicos da condição.
Como funciona o tratamento da síndrome ovariana metabólica poliendócrina?
O tratamento da SOMP depende dos sintomas, objetivos e necessidades de cada paciente.
Atualmente, as principais estratégias incluem:
Mudanças no estilo de vida:
A alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios físicos continuam sendo pilares importantes do tratamento da síndrome.
Essas mudanças podem ajudar no manejo de:
- Sensibilidade à insulina;
- Controle glicêmico;
- Redução inflamatória;
- Controle do peso;
- Regulação menstrual.
Acompanhamento nutricional:
O suporte nutricional pode auxiliar tanto nos aspectos metabólicos quanto hormonais. Em muitos casos, o acompanhamento individualizado ajuda na melhora de sintomas e adesão ao tratamento.
Tratamento medicamentoso:
A conduta deve sempre ser individualizada e supervisionada por profissionais habilitados.
O que muda para pacientes com a nova nomenclatura?
Na prática, a mudança para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina não altera imediatamente os protocolos clínicos já utilizados.
No entanto, ela pode trazer benefícios importantes como:
- Maior compreensão sobre a doença;
- Diagnósticos mais precoces;
- Visão mais ampla da condição;
- Mais atenção aos riscos metabólicos.
Além disso, a atualização científica pode contribuir para melhorar educação em saúde e conscientização sobre a condição.
O que profissionais da saúde devem considerar?
A mudança reforça a importância de uma abordagem mais integrada da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina.
Isso inclui atenção para:
- Saúde metabólica;
- Composição corporal;
- Hábitos de vida;
- Saúde mental;
- Sono;
- Inflamação;
- Risco cardiovascular.
Além disso, o acompanhamento multidisciplinar tende a ser cada vez mais valorizado na prática clínica.
Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina e uma abordagem mais ampla sobre a saúde da mulher
A atualização da nomenclatura para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina representa uma mudança importante na forma como a condição é compreendida atualmente.
Mais do que uma alteração ligada aos ovários, a SOMP é hoje reconhecida como uma condição sistêmica, com repercussões hormonais, metabólicas e inflamatórias relevantes.
Com isso, cresce também a importância de um acompanhamento multiprofissional e individualizado, focado não apenas nos sintomas imediatos, mas também na saúde metabólica e qualidade de vida a longo prazo.
Referências:
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2. Síndrome dos ovários policísticos. 3a ed. — São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2023. (Série, Orientações e Recomendações FEBRASGO, no.1/Comissão Nacional Especializada em Ginecologia Endócrina). 140p.
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