Como resolver as principais dificuldades na amamentação 

Como resolver as principais dificuldades na amamentação

A amamentação é um momento único de conexão entre mãe e bebê. Mais do que apenas nutrir, o ato de amamentar fortalece o vínculo afetivo e oferece proteção contra diversas doenças desde os primeiros dias de vida. No entanto, amamentar nem sempre é fácil. Apesar de ser um processo natural, muitas mulheres acabam enfrentando problemas na amamentaçãocomo dores, inseguranças, dificuldades na pega, julgamentos externos, dentre outros desafios. 

É importante lembrar que amamentar é um direito da mulher, assim como e ser amamentado é um direito da criança. Contudo, para que esse direito se concretize com sucesso, a mãe precisa ser acolhida, ter apoio, confiança e acesso à informação correta. 

Cada experiência com o aleitamento é única, podendo variar entre diferentes gestações da mesma mulher e, por isso, o suporte adequado faz toda a diferença. Neste texto, em celebração ao Agosto dourado, reunimos as principais dificuldades enfrentadas na amamentação, além de sugestões de como resolver cada uma delas com a informação correta. 

As principais dificuldades na amamentação: 

  • Pega inadequada 

“Pega” é o nome dado ao encaixe da boca do bebê no seio da mãe durante a amamentação. A pega adequada é essencial para uma amamentação sem dor, além disso, favorece a retirada eficiente do leite, independentemente da posição adotada.  

Já uma má pega, ou seja, o posicionamento inadequado da boca do bebê em relação ao mamilo e a aréola, pode dificultar o esvaziamento correto das mamas e acabar machucando os mamilos. Além disso, apesar do bebê permanecer por longos períodos no peito, um mau posicionamento pode prejudicar o ganho de peso da criança, pois dificulta a sucção do leite posterior (do final da mamada), que é mais calórico.  

A pega correta exige que o bebê abocanhe não apenas o bico do peito, mas toda a região da aréola, que é a região mais escura ao redor do bico/mamilo. Dessa forma, cria-se um lacre perfeito entre a boca do bebê e a mama, permitindo uma sucção mais eficiente. Assim, o bebê consegue retirar o leite com mais facilidade, reduzindo o risco de fissuras nos seios e as dores durante o processo, e garantindo uma alimentação adequada.   

Aqui vão algumas dicas para identificar uma pega correta:  

  1. Mãe e bebê devem estar em uma posição confortável; 
  1. O corpo do bebê deve ficar de frente para a mama e bem próximo ao corpo da mãe; 
  1. O tronco e cabeça do bebê devem estar alinhados, evitando uma postura torta;  
  1. É recomendado apoiar a mama com uma das mãos em forma de “C”, em vez de usar dedos em forma de tesoura para não dificultar a pega; 
  1. O nariz do bebê deve ficar bem na frente do bico do peito e o queixo tocando a mama; 
  1. Tocar levemente a boca do bebê com o mamilo pode ajudar a fazer com que ele abra bem a boca e facilitar que abocanhe boa parte da aréola;  
  1. As narinas devem ficar livres, para que ele respire bem durante a mamada, e os lábios devem estar curvados para fora, formando um lacre. 

Alguns sinais ajudam a identificar uma pega favorável, como: boca bem aberta, lábios virados para fora, queixo encostado na mama e observar a aréola mais acima do que abaixo da boca do bebê. 

  • Ingurgitamento mamário 

Conhecido popularmente como “leite empedrado”, o ingurgitamento mamário ocorre quando há um enchimento e acúmulo excessivo de leite nas mamas, ultrapassando a capacidade de sucção do bebê. Isso acaba provocando inchaço dos seios, vermelhidão, presença de caroços e gerando um desconforto para a mulher. 

Nesses casos, primeiramente é recomendado deixar o bebê mamar livremente, sem horários rígidos ou pressa, para que o máximo de leite seja retirado. Outras estratégias incluem massagear as mamas com movimentos suaves e circulares, retirar um pouco de leite da mama ingurgitada para facilitar a pega e usar sutiãs com boa sustentação.  

Em caso de dificuldades, é importante buscar por um profissional de saúde para auxiliar a definir a melhor forma de resolver a situação e de manter a amamentação da criança.  

  • Mamilos doloridos e/ou machucados 

Nos primeiros dias após o parto, é comum a mãe sentir os mamilos mais doloridos devido às mudanças fisiológicas que acontecem no final da gestação e começo da amamentação. Essa maior sensibilidade é considerada normal, mas não deve persistir após a primeira semana. A presença de dores persistentes ao amamentar pode ser um indicativo de que algo está errado. As causas mais comuns relacionadas a dor ao amamentar são: 

  1. Má pega, que pode provocar machucados e fissuras nos mamilos; 
  1. Problemas com a sucção do bebê; 
  1. Tração do mamilo para interromper a mamada sem o devido cuidado; 
  1. Uso impróprio de bombas de extração de leite; 
  1. Uso de cremes, óleos ou bicos artificiais; 
  1. Umidade constante nos mamilos. 

Para evitar machucar os mamilos, é muito importante garantir que o bebê tenha uma pega adequada. Além disso, deve-se evitar o uso de sabão, álcool, ou qualquer outro produto nos mamilos para não irritar a pele. Caso os mamilos já estejam machucados, é recomendado enxaguá-los com água limpa ao menos uma vez ao dia para evitar infecções. Não é aconselhado também o uso de cremes, óleos, antissépticos, saquinhos de chá, casca de banana ou mamão, ou outras substâncias sobre as mamas na tentativa de aliviar a dor, pois essas medidas podem acabar agravando a situação. 

  • Mastite 

É uma inflamação da mama que pode ocorrer quando o leite permanece acumulado por muito tempo no peito e/ou devido à rachaduras no mamilo, que facilitam a entrada para microrganismos. Nesses casos, as mamas podem ficar inchadas, vermelhas e doloridas, podendo ou não progredir para uma infecção e causar dores no corpo, febre e mal-estar nas mães. 

A amamentação não precisa ser interrompida durante o tratamento da mastite, mas é importante que a mulher com sintomas procure um serviço de saúde imediatamente para realizar o tratamento adequado. 

  • “Pouco leite” 

É comum que algumas mães tenham a sensação de ter pouco leite e, por isso, considerem oferecer outros leites e/ou alimentos à criança. No entanto, é importante reforçar que a maioria das mulheres produz quantidade suficiente de leite para atender às necessidades do seu bebê. Ademais, a produção de leite materno é regulada, principalmente, por estímulos da sucção do bebê: ou seja, quanto mais o bebê mama, mais leite será produzido. 

Nesse sentido, algumas medidas podem ajudar a aumentar a produção do leite e favorecer uma amamentação saudável, como melhorar a pega, aumentar a frequência das mamadas, massagear as mamas durante as mamadas, retirar um pouco do leite que ficar na mama após as mamadas, estimular o bebê a sugar, manter uma alimentação saudável e equilibrada, e beber bastante água. 

DICAS PARA UMA AMAMENTAÇÃO SAUDÁVEL E SEM DOR 

Apesar dos desafios, alguns cuidados simples podem tornar a amamentação mais confortável e segura. Abaixo, listamos dicas para a amamentação que ajudam a prevenir desconfortos e tornam a experiência mais tranquila para mãe e bebê: 

  • Amamente em um ambiente tranquilo e confortável; 
  • Observe sinais de fome no bebê, como movimentos de sucção, inquietação ou busca pelo seio; 
  • Use roupas que facilitem o acesso ao seio e sejam mais práticas para hora de amamentar;  
  • Busque ajuda profissional ao primeiro sinal de dor, desconforto ou dificuldade. 

CONCLUSÃO 

Amamentar é um processo de aprendizado, tanto para a mãe quanto para o bebê. Com o acesso às informações corretas, acolhimento e apoio, é possível superar as principais dificuldades na amamentação e construir uma jornada de amamentação saudável, prazerosa e com afeto. 

REFERÊNCIAS 

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/Documentos/pdf/guia-alimentar-para-criancas-brasileiras-menores-de-2-anos.pdf/view. Acesso em: 21 jul. 2025. 
  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf. Acesso em: 21 jul.2025. 
  1. ORIGEM, Grupo; KING, F. Savage. Como ajudar as mães a amamentar. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_13.pdf. Acesso em: 21 jul 2025. 
  1. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Guia prático de alimentação: crianças brasileiras menores de 2 anos. Rio de Janeiro: SBP, 2022. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/23148cf-GPrat_Aliment_Crc_0-5_anos_SITE.pdf. Acesso em: 21 jul. 2025. 

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