Sinais de atenção para o acompanhamento em saúde da mulher

Na imagem, duas mulheres com refeições equilibradas para demonstrar a importância da atenção dedicada à saúde da mulher

O corpo feminino é complexo e dinâmico. A saúde da mulher é marcada por diferentes alterações hormonais e fisiológicas que exigem cuidados específicos em cada fase da vida. 

Diferente do que muitos pensam, o acompanhamento nutricional para mulheres vai além da estética: trata-se de um dos pilares essenciais para garantir o equilíbrio e bem-estar feminino ao longo de toda vida.

Diante disso, entender as demandas biológicas de cada fase e reconhecer os sinais de alerta na saúde da mulher é fundamental para garantir um acompanhamento nutricional assertivo e melhor qualidade de vida para as pacientes. 

O texto a seguir explorará os principais pontos de atenção do acompanhamento nutricional para mulheres.

Fases da vida da mulher e alimentação: cuidados específicos

O corpo feminino possui diferentes demandas hormonais e fisiológicas para cada fase da vida. Por isso, o acompanhamento nutricional para mulheres deve ser individualizado, respeitando as mudanças metabólicas de cada uma dessas transições.

Adolescência:

A adolescência é caracterizada como uma fase de transição entre a infância e a vida adulta, marcada por intensas mudanças corporais e pelo desenvolvimento emocional, social e mental. 

Nessa fase, o corpo da adolescente passa por mudanças como:

  • Estirão puberal;
  • Maturação sexual; 
  • Desenvolvimento de órgãos internos;
  • Alterações da composição corporal, com maior susceptibilidade ao ganho de massa gorda (quando comparada a meninos).

Dessa forma, a avaliação nutricional em meninas adolescentes deve ser focada em todo o conjunto de mudanças que acompanham a puberdade.

Desafios relacionados à alimentação na adolescência 

A adolescência é marcada pelo aumento das necessidades proteicas, calóricas e de alguns micronutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento durante a puberdade. Além disso, as pressões sociais começam a influenciar diretamente as escolhas e hábitos de vida dessas meninas, tornando uma fase mais desafiadora, especialmente do ponto de vista nutricional.

Durante essa fase, é importante observar comportamentos que são sinais de alerta na saúde da mulher em formação, como:

  • Longos períodos sem se alimentar;
  • Consumo de lanches com alta densidade calórica e baixo valor nutricional;
  • Exposição à padrões estéticos irreais, que incentivam dietas restritivas.

Esses padrões alimentares tornam as meninas mais vulneráveis tanto à obesidade como a transtornos alimentares, que desencadeiam desequilíbrios metabólicos profundos:

  • Deficiências nutricionais;
  • Alterações hormonais;
  • Mudanças no ciclo menstrual;
  • Impactos negativos na saúde mental.

Fase adulta 

Na fase adulta, o acúmulo de tarefas e compromissos pode ser um desafio para manter um estilo de vida saudável. Nesse sentido, é comum que a alimentação e a prática de exercícios físicos fiquem em segundo plano, aumentando o risco de desenvolvimento de doenças crônicas. 

Além disso, o organismo pode emitir sinais de alerta que acabam sendo normalizados ou ignorados, mas que podem indicar sintomas de desequilíbrio hormonal feminino e/ou deficiências nutricionais, como:

  • Cansaço excessivo e persistente;
  • Alterações digestivas como gases, intestino irregular ou estufamento;
  • Ciclo menstrual irregular; 
  • Queda de cabelo, unhas fracas e pele seca;
  • Oscilações de humor, insônia e dificuldade de concentração.

Dessa forma, a nutrição na saúde da mulher adulta deve focar no equilíbrio hormonal e manejo do estresse, levando em consideração as particularidades da rotina de cada paciente.

Preparação para a gestação

Para muitas mulheres que planejam engravidar, a atenção à saúde da mulher precisa ser redobrada. 

A nutrição feminina adequada é fundamental para garantir que o organismo tenha as reservas de micronutrientes necessárias para o desenvolvimento do bebê e para uma gestação saudável. 

Para mais informações sobre acompanhamento nutricional para mulheres grávidas, confira o texto: O que você precisa saber para atender pacientes gestantes.

Climatério e pós-menopausa 

O climatério marca a transição da fase reprodutiva para a fase não reprodutiva da mulher. E, durante esse período, ocorrem algumas alterações no organismo, que podem ter início antes da menopausa e perdurar por alguns anos. 

As alterações fisiológicas no climatério são causadas principalmente pela queda dos níveis de estrogênio, deixando a mulher mais suscetível a:

  • Ganho de peso e maior deposição de gordura na região abdominal;
  • Perda da massa muscular e densidade óssea; 
  • Maior risco cardiovascular;
  • Alterações no sistema geniturinário.

Embora o início dessa fase seja sutil, identificar alguns sinais de alerta na saúde da mulher pode ser fundamental para o manejo precoce. São eles:

  • Ondas de calor (fogachos);
  • Insônia;
  • Dores de cabeça;
  • Secura vaginal;
  • Incontinência urinária; 
  • Irritabilidade e oscilações de humor.
Nutrição feminina no climatério e pós-menopausa 

A alimentação na saúde da mulher no climatério e pós-menopausa deve ser focada em um padrão alimentar anti-inflamatório e antioxidante, a fim de: 

  • Proteger a massa muscular e óssea;
  • Promover a saúde cardiovascular e metabólica;
  • Modular as alterações hormonais;
  • Controlar o ganho de peso e evitar o acúmulo de gordura abdominal. 

Sinais de alerta: quando buscar ajuda?

Embora muitos sinais e sintomas sejam considerados normais ou ignorados, eles funcionam como alertas de que a saúde da mulher precisa de atenção profissional. 

Por isso, é fundamental um olhar especial para o acompanhamento nutricional além da estética e verificar se  a paciente apresenta histórico de doenças ou sinais como:

  • Alterações no ciclo menstrual;
  • Cólicas intensas;
  • Acne persistente na fase adulta;
  • Sangramento uterino anormal;
  • Oscilações constantes no humor;
  • Ganha ou perda excessiva de peso;
  • Dores pélvicas frequentes;
  • Ondas de calor;
  • Corrimento vaginal; 
  • Redução de libido;
  • Cansaço excessivo e palidez;
  • Queda de cabelo intensa;
  • Dificuldade para engravidar.

Esses sintomas podem ser sinais de desequilíbrio hormonal, deficiências nutricionais ou até condições como:

  • Endometriose;
  • Síndrome do ovário policístico;
  • Menopausa;
  • Miomas uterinos;
  • Hipo ou hipertireoidismo;
  • Resistência à insulina. 

Conclusão 

Cuidar da saúde da mulher é um compromisso contínuo que exige sensibilidade para interpretar o organismo em cada fase da vida. Por isso, a nutrição feminina deve ser encarada como um investimento na saúde da mulher a longo prazo, que vai muito além dos objetivos estéticos. 

Nesse sentido, saber identificar sinais de alerta na saúde da mulher e as demandas biológicas de cada etapa da vida da mulher é essencial para um manejo nutricional adequado e individualizado.

Referências

  1. EISENSTEIN, Evelyn et al. Nutrição na adolescência. J Pediatr, v. 76, n. Supl 3, p. S263-74, 2000.   
  2. Manual de Alimentação: orientações para alimentação do lactente ao adolescente, na escola, na gestante, na prevenção de doenças e segurança alimentar/ Sociedade Brasileira de Pediatria. – 5.ed. rev. ampl.– São Paulo: SBP, 2024. 
  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde dos adolescentes. Brasília: Ministério da Saúde, 2017 
  4. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA – FEBRASGO. Da adolescência à menopausa, saúde da mulher requer olhar especial, diz FEBRASGO. Brasília, 06 abr. 2023. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/1644-da-adolecencia-a-menopausa-saude-da-mulher-requer-olhar-especial-diz-febrasgo
  5. Conselho Regional de Nutricionistas da 3ª Região (CRN-3). A alimentação em todas as fases da vida da mulher. São Paulo; Mato Grosso do Sul: CRN-3, s.d. Disponível em: https://www.crn3.org.br/arquivos/eede5b39e1b1e06322e5fea43cbe771f.pdf 
  6. Yelland, S., Steenson, S., Creedon, A. & Stanner, S. (2023) The role of diet in managing menopausal symptoms: A narrative review. Nutrition Bulletin, 48, 43–65. https://doi.org/10.1111/nbu.12607  
  7. BRASIL. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres. Brasília: Ministério da Saúde; Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, 2016. 230 p. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_saude_mulheres.pdf

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Back To Top