Como aliviar os efeitos colaterais do Mounjaro através da alimentação

Na foto, uma olhar olhando para um prato de comida sem apetite.

Os efeitos colaterais do Mounjaro costumam causar desconforto e impactar diretamente a qualidade de vida dos pacientes que usam esse ou outro medicamento da classe dos análogos de GLP-1. 

Eles costumam ser mais frequentes nas primeiras semanas de tratamento ou nas fases de ajuste da dosagem, e, felizmente, podem ser amenizados com algumas estratégias alimentares simples. 

Náuseas e vômitos, sensação de estômago cheio por tempo prolongado, redução do apetite e desconfortos gastrointestinais são alguns dos exemplos mais comuns dos efeitos colaterais do Mounjaro durante a fase de adaptação ao medicamento. 

Porém, a forma como o indivíduo se alimenta pode fazer toda a diferença para tornar esse período menos desconfortável e minimizar os riscos de prejuízos no estado nutricional. 

O Mounjaro (tirzepatida) atua na regulação do metabolismo de glicose, retardando o esvaziamento gástrico e aumentando a sensação de saciedade, mecanismos importantes para o tratamento da obesidade e do diabetes mellitus tipo 2. No entanto, essas mesmas ações também explicam por que algumas pessoas apresentam sintomas gastrointestinais durante o tratamento medicamentoso. 

No texto a seguir, você entenderá por que os efeitos colaterais do Mounjaro acontecem e conhecerá as principais recomendações nutricionais baseadas nas evidências científicas mais recentes para reduzir os desconfortos sem comprometer a eficácia do tratamento. 

O que é o Mounjaro?

Antes de abordar sobre os efeitos colaterais do Mounjaro, vale a pena conhecer melhor o medicamento e como ele atua no organismo. 

O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, um medicamento inicialmente indicado para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2, mas que diante de seus potenciais efeitos na perda de peso também vem sendo usado no manejo da obesidade. 

Seu diferencial está no mecanismo de ação, já que a tirzepatida é um agonista duplo dos receptores de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) e GIP (polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose). Ou seja, atua simultaneamente nos receptores dos hormônios GLP-1 e GIP, conhecidos como incretinas. 

Essa ação dupla contribui para melhorar o controle glicêmico, aumentar a sensação de saciedade e retardar o esvaziamento do estômago. Dessa forma, muitas pessoas passam a consumir menos alimentos ao longo do dia, o que favorece a perda de peso corporal.

No entanto, esse mecanismo também explica por que os sintomas gastrointestinais, como náuseas e sensação de estômago cheio, podem surgir no início e ao longo do tratamento. 

Por que o Mounjaro pode causar efeitos colaterais gastrointestinais?

A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, atua estimulando simultaneamente os receptores de GIP e GLP-1, hormônios envolvidos no controle da glicemia, do apetite e da saciedade.

Um dos efeitos esperados dessa ação é o retardo do esvaziamento gástrico, ou seja, o alimento permanece por mais tempo no estômago. Como consequência, o paciente sente saciedade por mais tempo, o que contribui para a redução da ingestão alimentar.

Por outro lado, essa adaptação também favorece efeitos colaterais como:

  • Náuseas;
  • Sensação de estômago cheio;
  • Empachamento;
  • Distensão abdominal;
  • Refluxo;
  • Vômitos;
  • Constipação ou diarreia. 

Esses sintomas costumam ser transitórios e tendem a diminuir conforme o organismo se adapta ao medicamento, principalmente quando o aumento das doses ocorre de forma gradual. 

Quais são os efeitos colaterais do Mounjaro mais comuns?

Embora cada organismo responda de maneira diferente, os principais sintomas observados durante o tratamento com Mounjaro ou outro análogo de GLP-1 incluem:

  • Náuseas e vômitos;
  • Redução do apetite;
  • Sensação de plenitude, saciedade precoce e “estômago cheio”;
  • Distensão abdominal e gases;
  • Constipação ou diarreia;
  • Dores abdominais.

Além disso, alguns estudos também observaram outros sintomas menos comuns, como, por exemplo, fadiga, dores de cabeça, queda de cabelo, refluxo, gastrite, sintomas de má digestão e arrotos frequentes. 

Na maioria das pessoas, os efeitos colaterais do Mounjaro são leves a moderados e não costumam comprometer o tratamento, uma vez que costumam melhorar ao longo do tempo, com a estabilização da dosagem. 

Como a alimentação ajuda a reduzir os efeitos colaterais do Mounjaro?

A alimentação exerce um papel fundamental ao longo do tratamento com os análogos de GLP-1. Além de contribuir para a manutenção de um estado nutricional adequado e favorecer melhores resultados na perda de peso e na preservação da massa muscular, uma alimentação equilibrada também auxilia no manejo dos efeitos colaterais gastrointestinais. 

Nesse sentido, estratégias como o fracionamento das refeições, a escolha de preparações leves e a adequação da ingestão de líquidos podem tornar a adaptação ao tratamento mais confortável e favorecer sua continuidade. 

As recomendações atuais enfatizam que pequenas mudanças na rotina alimentar, juntamente ao acompanhamento nutricional, costumam ser suficientes para melhorar a tolerância ao tratamento medicamentoso. 

A seguir estão alguns exemplos das principais recomendações:

1. Maior fracionamento e menor volume das refeições:

Esta é uma das principais orientações para quem está iniciando o tratamento com os medicamentos análogos de GLP-1. 

Isso porque, como o estômago demora mais para esvaziar, refeições muito volumosas aumentam a sensação de plenitude ou empachamento e favorecem náuseas.

Nesse sentido, o ideal é:

  • Reduzir a quantidade de alimentos de uma refeição;
  • Distribuir as refeições ao longo do dia, realizando a cada 3 ou 4 horas;
  • Comer apenas até se sentir satisfeito, sem insistir em terminar o prato.  

Essas medidas ajudam a reduzir a sobrecarga digestiva e melhoram a adaptação ao medicamento. 

2. Comer devagar e mastigar bem os alimentos:

A velocidade de ingestão da refeição influencia diretamente o desconforto gastrointestinal. Dessa forma, comer rapidamente pode favorecer:

  • Ingestão excessiva de alimentos;
  • Maior entrada de ar enquanto come;
  • Aumento da distensão abdominal;
  • Piora da náusea.

Nesse sentido, mastigar bem também facilita o processo digestivo e permite que os sinais de saciedade sejam percebidos antes do excesso alimentar.

3. Evitar os alimentos gordurosos:

Os alimentos ricos em gordura naturalmente demoram mais tempo para serem digeridos. Nesse contexto, quando esse efeito se soma ao retardo do esvaziamento gástrico provocado pelo uso dos medicamentos análogos de GLP-1, o desconforto pode aumentar. 

Por isso, durante todo o tratamento, especialmente na fase inicial de adaptação, é importante evitar o consumo dos alimentos gordurosos, como:

  • Carnes com alto teor de gordura;
  • Alimentos fritos, como batatas fritas, carnes à milanesa etc;
  • Molhos;
  • Embutidos, como linguiça, salsicha, presunto, peito de peru;
  • Alimentos ultraprocessados com o selo de “alto teor de gordura saturada”. 

De forma geral, alimentos ricos em gorduras saturadas não estão associados a benefícios à saúde. Por isso, é recomendado evitar o seu consumo, priorizando alimentos fonte de gorduras boas e em quantidades moderadas. 

4. Optar por refeições leves:

Algumas formas de preparo são mais bem toleradas por algumas pessoas. Nesse sentido, boas opções incluem preparações cozidas, assadas ou grelhadas. 

Além disso, o modo de preparo de algumas refeições também pode ajudar na melhor tolerabilidade. Opções como purês, sopas, caldos ou outras preparações líquidas, como vitaminas, são exemplos de preparações simples e bem toleradas na maioria das vezes. 

Por outro lado, refeições muito condimentadas, apimentadas e extremamente gordurosas podem aumentar o desconforto em algumas pessoas e piorar os sintomas. 

5. Não pular as refeições ou ficar muito tempo sem comer:

Embora o Mounjaro reduza significativamente o apetite e o aparecimento dos sintomas gastrointestinais favoreçam uma menor ingestão alimentar, permanecer muitas horas sem comer nem sempre é a melhor estratégia. 

Isso porque o jejum prolongado pode intensificar a sensação de náusea em algumas pessoas e dificultar o alcance das necessidades nutricionais diárias, especialmente de proteínas, vitaminas e minerais. 

Por isso, mesmo quando a fome estiver reduzida, recomenda-se manter uma rotina alimentar com pequenas refeições distribuídas ao longo do dia, respeitando a tolerância individual. 

6. Manter uma boa hidratação:

A hidratação também é um ponto que merece atenção em pacientes em uso de análogos de GLP-1. Além de auxiliar o funcionamento intestinal, ela ajuda a compensar perdas caso ocorram episódios de vômitos e/ou diarreia. 

Dessa forma, a ingestão hídrica deve ser distribuída ao longo do dia, respeitando as necessidades individuais e deve ser incentivada mesmo na ausência de sinais de sede. 

7. Evitar grandes volumes de líquidos durante as refeições:

Beber grandes quantidades de líquidos junto às refeições pode aumentar a sensação de estômago cheio. Nesse sentido, uma estratégia útil é ingerir líquidos ao longo do dia, especialmente entre as refeições, e reduzir o consumo de grandes quantidades durante as principais refeições.

Alimentação adequada torna a adaptação ao tratamento mais confortável

Os efeitos colaterais do Mounjaro ou de outros análogos de GLP-1 fazem parte da adaptação inicial ao medicamento e, na maioria dos casos, tendem a diminuir com o passar das semanas. 

Nesse sentido, a adoção de estratégias nutricionais simples, pode aliviar náuseas, sensação de estômago cheio e outros desconfortos gastrointestinais, favorecendo a continuidade do tratamento.

Vale lembrar que as recomendações devem ser individualizadas, especialmente para pessoas com outras condições de saúde ou que apresentem sintomas persistentes. 

Portanto, o acompanhamento nutricional juntamente com o acompanhamento médico é essencial para garantir que o tratamento seja eficaz, seguro e nutricionalmente adequado. 

Referências:

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