Alimentos bons para o coração: confira quais incluir na alimentação

Alimentos bons para o coração organizados em forma de coração.

Incluir alimentos bons para o coração no dia a dia faz parte das estratégias nutricionais voltadas para a prevenção das doenças cardiovasculares. 

Embora fatores como idade, genética e algumas condições de saúde também influenciem no risco de desenvolver essas doenças, o padrão alimentar, assim como alguns alimentos específicos, impactam alguns aspectos diretamente associados à saúde cardiovascular, como o controle do colesterol, da pressão arterial, da glicemia e da inflamação do organismo.

Os alimentos bons para o coração são aqueles compostos por fibras, gorduras saudáveis, antioxidantes e outros compostos bioativos capazes de favorecer a saúde dos vasos sanguíneos e melhorar o perfil lipídico. Quando fazem parte da rotina, ajudam, por exemplo, a reduzir fatores de risco associados ao infarto e a outras doenças cardiovasculares.

Neste texto, conheça os principais alimentos bons para o coração, entenda por que eles são importantes e saiba como incluí-los em uma alimentação equilibrada.

O que torna um alimento bom para o coração?

Nenhum alimento isoladamente é capaz de prevenir ou causar doenças cardiovasculares. No entanto, alguns apresentam nutrientes e compostos bioativos que atuam em diferentes mecanismos relacionados à saúde do coração, se aplicados em contexto geral de alimentação equilibrada. 

Entre os principais benefícios estão:

  • Redução do colesterol LDL;
  • Manutenção ou melhora do colesterol HDL;
  • Controle dos triglicerídeos;
  • Redução da pressão arterial;
  • Diminuição do estresse oxidativo;
  • Proteção dos vasos sanguíneos.

Os compostos mais associados a esses efeitos incluem fibras solúveis, fitoesteróis, gorduras mono e poli-insaturadas e antioxidantes naturais.

Alimentos ricos em fitoesteróis e gorduras monoinsaturadas

Os fitoesteróis são compostos vegetais cuja estrutura é semelhante à do colesterol. Dessa forma, no intestino, eles competem com o colesterol pela absorção, favorecendo a sua excreção pelas fezes e contribuindo para redução dos níveis de colesterol LDL no sangue. 

Por outro lado, as gorduras monoinsaturadas ajudam a melhorar o perfil lipídico quando substituem gorduras saturadas na alimentação.

Azeite de oliva extravirgem:

O azeite de oliva extravirgem, por exemplo, é um dos principais componentes da dieta mediterrânea e um dos alimentos bons para o coração mais estudados. 

Ele é composto majoritariamente por ácidos graxos monoinsaturados, além de compostos fenólicos com ação antioxidante. Dessa forma, seu consumo está associado à melhora do perfil lipídico e à proteção cardiovascular. 

Como incluir na alimentação: utilize para temperar saladas, legumes e preparações prontas.

Abacate:

O abacate é rico em gorduras monoinsaturadas, fibras e fitoesteróis.

Seu consumo pode contribuir para reduzir o colesterol LDL e os triglicerídeos, além de favorecer níveis mais elevados de colesterol HDL quando faz parte de uma alimentação equilibrada. 

Pode ser consumido em vitaminas, pastas, saladas ou como sobremesa.

Castanhas, nozes e amêndoas:

As oleaginosas concentram gorduras insaturadas, fitoesteróis, fibras e vitamina E. 

O consumo está associado à redução do colesterol plasmático e à melhora da saúde vascular. Entre as principais opções estão: 

  • Nozes;
  • Castanha-do-pará;
  • Castanha-de-caju;
  • Amêndoas;
  • Pistache.

Óleo de canola:

O óleo de canola apresenta elevada proporção de gorduras monoinsaturadas e baixo teor de gorduras saturadas. 

Nesse sentido, quando utilizado para substituir outras fontes de gordura menos saudáveis, pode contribuir para um perfil lipídico mais favorável. 

Alimentos ricos em gorduras poli-insaturadas

As gorduras poli-insaturadas incluem os ácidos graxos ômega-3 e ômega-6.

Entre eles, sem dúvida, o ômega-3 apresenta os benefícios mais bem estabelecidos para a saúde cardiovascular. 

Peixes ricos em ômega-3:

Sardinha, salmão, cavala, atum e arenque, por exemplo, são excelentes fontes de EPA e DHA, principais ácidos graxos do tipo ômega 3.

O consumo regular desses peixes está associado à redução dos triglicerídeos, melhora da saúde vascular e menor inflamação.

Linhaça e chia:

As sementes de linhaça e chia são importantes fontes vegetais de ácido alfa-linolênico (ALA), um tipo de ômega-3.

Além disso, fornecem fibras solúveis e compostos fenólicos que complementam uma alimentação cardioprotetora.

Podem ser adicionadas a frutas, iogurtes, vitaminas e preparações culinárias.

Alimentos ricos em fibras solúveis

As fibras solúveis formam um gel no intestino que reduz a absorção do colesterol e favorece sua eliminação.

Além disso, ajudam no controle da glicemia, aumentam a saciedade e contribuem para uma microbiota intestinal saudável.

Aveia:

Dentre os benefícios da aveia, ela é considerada uma das principais fontes de beta-glucanas, fibras solúveis que apresentam efeito comprovado na redução do colesterol LDL. 

Ela pode ser consumida com frutas, iogurtes, vitaminas, mingaus e diversas preparações culinárias.

Feijões, lentilha, grão-de-bico e ervilha:

As leguminosas fazem parte de um padrão alimentar saudável e fornecem proteínas vegetais, fibras e minerais.

Dessa forma, seu consumo regular está associado ao melhor controle do colesterol e da glicemia, além de favorecer maior saciedade.

Soja e derivados:

Alimentos como soja, tofu e edamame fornecem proteínas vegetais, fibras e isoflavonas.

Esses componentes podem contribuir para a melhora do metabolismo lipídico e complementar uma alimentação voltada à saúde cardiovascular.

Outros alimentos bons para o coração

Além das fontes de fibras e gorduras saudáveis, alguns alimentos fornecem compostos bioativos que ajudam a proteger os vasos sanguíneos.

Alho:

O alho é conhecido por seu papel protetor contra doenças cardiovasculares. Isso porque apresenta compostos que podem reduzir a concentração de colesterol, a pressão arterial e contribuir para inibição da agregação plaquetária na parede dos vasos sanguíneos. 

Embora seus efeitos sejam modestos quando consumido isoladamente, ele pode contribuir para uma alimentação saudável.

Cacau e chocolate amargo:

O cacau é rico em flavonoides, especialmente epicatequinas, compostos antioxidantes que favorecem a função do endotélio e ajudam a reduzir o estresse oxidativo. 

Contudo, para obter esses benefícios, recomenda-se priorizar chocolates com maior teor de cacau e consumi-los com moderação, devido ao valor calórico. 

Como incluir alimentos bons para o coração no dia a dia?

De forma geral, não é necessário consumir exclusivamente todos esses alimentos diariamente. Acima de tudo, o mais importante é manter a variedade e equilíbrio ao longo da semana. Algumas estratégias incluem, por exemplo:

  • Incluir azeite de oliva extravirgem e aveia na alimentação;
  • Consumir frutas diariamente;
  • Manter feijão ou outras leguminosas nas principais refeições;
  • Incluir peixes ricos em ômega-3 duas vezes por semana;
  • Utilizar castanhas como opção de lanche;
  • Acrescentar chia ou linhaça em iogurtes e frutas.

Nesse sentido, pequenas mudanças, quando mantidas de forma consistente, podem trazer benefícios importantes para a saúde cardiovascular.

Quais alimentos devem ser consumidos com moderação?

Assim como existem alimentos bons para o coração, alguns alimentos estão associados ao aumento do risco cardiovascular quando consumidos em excesso. Entre eles estão:

  • Carnes processadas;
  • Embutidos;
  • Alimentos ultraprocessados;
  • Bebidas açucaradas;
  • Alimentos e produtos ricos em gorduras trans e gorduras saturadas;
  • Excesso de sal.

Ou seja, reduzir o consumo desses alimentos também faz parte das recomendações para proteger a saúde do coração e para a manutenção de uma alimentação equilibrada e saudável.

Por que incluir alimentos bons para o coração na alimentação?

Os alimentos bons para o coração fornecem nutrientes que ajudam a controlar o colesterol, reduzir a pressão arterial, combater a inflamação e proteger os vasos sanguíneos.

Aveia, frutas, leguminosas, azeite de oliva extravirgem, oleaginosas, peixes ricos em ômega-3, sementes e outros alimentos de origem vegetal, por exemplo, podem fazer parte de uma alimentação equilibrada e contribuir para a prevenção das doenças cardiovasculares.

Portanto, mais do que escolher um alimento específico, os maiores benefícios são observados quando esses alimentos compõem um padrão alimentar saudável, associado à prática de exercícios físicos, ao controle das doenças crônicas e ao acompanhamento de profissionais de saúde.

Referências:

  1. CUPPARI, Lilian (Coord.). Guia de nutrição: clínica no adulto. 3. ed. Barueri, SP: Manole, 2014.
  2. Pedro Marques-Vidal, Vasiliki Tsampasian, Aedin Cassidy, Giuseppe Biondi-Zoccai, Christina Chrysohoou, Konstantinos Koskinas, W M Monique Verschuren, Michał Czapla, Maryam Kavousi, Matina Kouvari, Vassilios S Vassiliou, Demosthenes Panagiotakos, Diet and nutrition in cardiovascular disease prevention: a scientific statement of the European Association of Preventive Cardiology and the Association of Cardiovascular Nursing & Allied Professions of the European Society of Cardiology, European Journal of Preventive Cardiology, Volume 32, Issue 16, November 2025, Pages 1540–1552, https://doi.org/10.1093/eurjpc/zwaf310 
  3. CUPPARI, Lilian (Coord.). Nutrição nas doenças crônicas não-transmissíveis. Barueri, SP: Manole, 2009.
  4. BRASIL. Ministério da Saúde; UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS. Desmistificando dúvidas sobre alimentação e nutrição: material de apoio para profissionais de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.
  5. Taylor RM, Haslam RL, Herbert J, et al. Diet quality and cardiovascular outcomes: A systematic review and meta-analysis of cohort studies. Nutrition & Dietetics. 2024; 81(1): 35-50. doi:10.1111/1747-0080.12860

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