A exaltação da magreza e dos padrões de beleza

A história da exaltação da magreza e dos padrões de beleza: dos transtornos alimentares ao corpo sarado e remédios para emagrecer

Para você, o que é um corpo bonito? Por muito tempo, e ainda hoje, a maioria das respostas para essa pergunta seria: “um corpo magro”. 

Embora pareça uma escolha pessoal, essa percepção é resultado da soma de fatores históricos, sociais e midiáticos que influenciam e definem culturalmente o que é considerado bonito e aceitável. 

Dessa forma, a busca pelo corpo “perfeito” vai além de uma questão estética ou de saúde, ela representa um símbolo social de sucesso. 

A evolução dos padrões de beleza ao longo do tempo  

Atualmente, vivemos uma era marcada pelo culto à magreza ideal e aos músculos definidos. Mas nem sempre foi assim. 

Ao longo da história, diferentes padrões estéticos ditaram o que era considerado desejável. Em épocas anteriores, os corpos mais volumosos eram vistos como sinônimo de fartura e beleza, ocupando um lugar de valorização. Com o tempo, esses ideais deram lugar ao atual padrão de beleza almejado: magro e sarado. 

Sendo assim, a magreza passou a representar mais do que números na balança, tornou-se um símbolo de valor pessoal, aceitação social e um uma falsa ideia de saúde e bem-estar. 

Porém, os custos para alcançar esse padrão são altos e, muitas vezes, silenciosos. Dietas restritivas, transtornos alimentares e o uso de remédios para emagrecer, são alguns exemplos de mecanismos utilizados por muitas pessoas para atingir o corpo “i(rr)deal”. 

O padrão de beleza atual vive um paradoxo: cultua-se a magreza ideal numa sociedade obesogênica, ou seja, enquanto a estética corporal é pautada na valorização dos corpos cada vez mais magros, o ambiente em que vivemos – marcado pela forte presença de alimentos ultraprocessados e sedentarismo – favorece o ganho de peso. 

O resultado, portanto, é um padrão estético inalcançável para a maioria, o que torna o status da magreza ideal um símbolo de conquista pessoal e não de saúde real. E, mais uma vez, o corpo “i(rr)deal” se impõe como uma meta distorcida e desconectada, promovendo a busca constante por estratégias extremas e, por vezes, perigosas para alcançar o corpo magro.   

Resumindo, tudo isso alimenta um ciclo vicioso de frustação, culpa e insatisfação com o próprio corpo.  

Como a busca pela magreza afeta a saúde mental

A guerra contra a balança não se limita ao peso corporal, ela também impacta significativamente a saúde mental, principalmente entre mulheres e adolescentes. 

A constante comparação com padrões irreais atinge profundamente a saúde mental, resultando numa população cada vez mais insatisfeita com a sua imagem corporal e mais suscetível ao desenvolvimento de transtornos mentais e alimentares. 

Do sentimento de culpa e baixa autoestima, até ansiedade e depressão, o adoecimento mental da sociedade decorrente dos padrões estéticos está cada vez mais comum e frequente. 

Padrões estéticos e transtornos alimentares  

A busca por se encaixar na magreza ideal traz consigo uma realidade assustadora: casos de transtornos alimentares, como anorexia nervosa, bulimia nervosa, transtorno alimentar restritivo evitativo e transtorno de compulsão alimentar. 

O foco no peso, a imagem corporal distorcida e a constante exposição ao “corpo perfeito” são associados ao desenvolvimento de transtornos alimentares. As consequências são diversas: desde complicações digestivas e desnutrição até impactos na saúde mental e qualidade de vida. 

O corpo sarado: estilo de vida saudável ou distorção de imagem? 

A prática de exercícios físicos é extremamente benéfica para o corpo, mas existe um lado pouco falado por trás do corpo musculoso: a dismorfia muscular. 

O corpo sarado é outro dos padrões estéticos mais cobiçados atualmente. Contudo, sua busca pode desencadear um tipo de distorção de imagem no qual a pessoa se percebe menos musculosa do que realmente é, conhecido como dismorfia muscular.  

Para atingir esse ideal, muitos recorrem ao uso de anabolizantes, favorecendo o desenvolvimento de consequências graves para a saúde física e mental, como danos hepáticos, endócrinos, neurológicos, cardiovasculares e aumento da mortalidade. 

Remédios para emagrecer: a nova febre do momento

As famosas canetas emagrecedoras ganharam popularidade por promoverem perda de peso rápida. Inicialmente desenvolvidas para tratar a diabetes mellitus tipo 2, elas foram rapidamente direcionadas para o tratamento da obesidade. Contudo, sua aplicação para a promoção da perda de peso mesmo para quem não tem nem sobrepeso é muito mais frequente. 

Mas, o que pouco se discute é que atrelado a elas está a reafirmação do padrão de beleza pautado na magreza ideal, não importa o custo. 

A influência da indústria no culto à magreza

E, afinal, quem definiu qual o corpo ideal e bonito?    

Embora essa pergunta não tenha uma resposta única, podemos identificar os principais agentes responsáveis pela imposição desse padrão estético da magreza ideal: a indústria e a mídia. 

As redes sociais são terrenos férteis para a disseminação de padrões de beleza distorcidos e, o pior, os meios disfuncionais de alcançá-los. Reforçando o culto ao corpo magro como sinônimo de saúde, felicidade e sucesso. 

Diante de padrões estéticos irreais e cada vez mais inatingíveis, fica a pergunta: qual o verdadeiro custo da magreza ideal?  

Referências:

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