O mês de Agosto é marcado pela campanha “Agosto Dourado”, que incentiva a prática do aleitamento materno. De acordo com o Ministério da Saúde (MS) e Organização Mundial da Saúde (OMS), o aleitamento materno deve ser exclusivo até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos ou mais.
O leite materno é uma fonte de nutrientes única e adequada para as necessidades do bebê, sendo considerado um alimento completo. Existem diversos benefícios da amamentação, como: proteção contra microrganismos patogênicos, fortalecimento do laço entre mãe e bebê, redução da probabilidade de alergias, proteção da criança contra infecções, diarreia e outras doenças, dentre outros inúmeros benefícios.
Mas como ele oferece tantos benefícios? Isso se dá por conta da composição e dos nutrientes do leite materno, que serão abordados ao longo deste texto.
COMPOSIÇÃO DO LEITE MATERNO
A composição do leite materno é, em geral, semelhante entre as mulheres que amamentam. Contudo, podem ocorrer algumas variações para atender às necessidades específicas do bebê ou em função da alimentação da mãe.
Além disso, a coloração do leite costuma ser motivo de preocupação para muitas mães. No entanto, a cor e aspecto do leite materno podem variar de acordo com a dieta da mãe e também ao longo da mamada. Isso, porém, não significa que o leite seja fraco – pelo contrário, o leite materno é de excelente qualidade e é considerado o melhor alimento para o bebê nos primeiros meses de vida.
É por meio do leite materno que o bebê tem contato com os sabores dos alimentos ingeridos pela mãe, o que influencia positivamente as reações da criança na introdução alimentar. Nesse sentido, é importante que a mãe mantenha uma alimentação variada e equilibrada, priorizando o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas, nozes e sementes.
O leite humano passa por 3 fases distintas, que acontecem desde o nascimento até o estabelecimento da lactação: colostro, leite de transição e leite maduro. O leite de cada uma dessas fases apresenta características específicas, a fim de atender às necessidades nutricionais do bebê ao longo do seu desenvolvimento.
Nos primeiros 7 dias após o parto, o leite secretado pelas mamas é chamado de colostro. O colostro, caracterizado por ser um leite de coloração amarelada e mais espesso, é exatamente o que a criança precisa nos primeiros dias, pois:
- Apresenta alta concentração de proteínas de fácil digestão, principalmente imunoglobulinas, que desempenham papel importante no fortalecimento do sistema imunológico e proteção do bebê contra a maior parte das bactérias e vírus;
- Possui menor teor de carboidratos e gorduras quando comparado com o leite maduro;
- É rico em fatores de crescimento que ajudam a preparar e desenvolver o intestino imaturo do bebê;
- Ajuda no estabelecimento do microbioma intestinal saudável e contribui para o bom funcionamento do intestino do bebê nos primeiros dias, facilitando a eliminação do mecônio (as primeiras fezes do recém-nascido).
Do dias 7 a 14, é secretado o leite de transição, caracterizado por ser uma combinação entre o colostro e o leite maduro. Já o leite maduro é secretado em torno de duas semanas após o parto e apresenta:
- Alta concentração de carboidratos, principalmente a lactose, e lipídios: nutrientes essenciais para promover o crescimento do bebê;
- Quantidade de proteínas adequada à velocidade de crescimento do bebê;
- Quantidades suficientes de vitaminas, com exceção da vitamina D (importante expor a criança ao banho de sol diariamente).
É importante lembrar que a composição do leite materno muda no decorrer de uma mamada. No início, o leite é mais rico em água e anticorpos, auxiliando na hidratação e fortalecimento imunológico do bebê. À medida que a mamada avança, a concentração de gordura aumenta, tornando o leite do final, ou posterior, mais calórico e promovendo maior saciedade à criança. Por isso é importante que o bebê esvazie bem a mama antes de oferecer a outra.
Outro ponto importante, é que mulheres com desnutrição grave podem ter diferenças na quantidade e qualidade do seu leite materno. Além disso, o leite de mães de recém-nascidos prematuros apresenta composição diferente do leite de mães de bebês a termo, exatamente para atender às necessidades específicas desse bebê. Em geral, o leite de bebês prematuros possui quantidades maiores de calorias, lipídios e proteínas.
IMPORTÂNCIA DA AMAMENTAÇÃO
O Agosto Dourado tem como objetivo conscientizar sobre a importância do aleitamento materno. Dentre os benefícios da amamentação para a mãe e bebê destacam-se:
- Desenvolvimento da cavidade bucal: é estimulado pelo exercício que o bebê faz para retirar o leite da mama, o que contribui para o desenvolvimento adequado da respiração, mastigação, fala, alinhamento dos dentes e deglutição;
- Saúde da mulher: o aleitamento materno reduz a prevalência de diversas doenças que afetam mulheres, como câncer de mama, ovário e útero. Quanto mais a mulher amamenta, maiores serão os benefícios à saúde.
- Amamentar é mais econômico: amamentar é mais barato do que alimentar o bebê com outros leites e/ou fórmulas infantis. Além disso, não há custos adicionais com itens relacionados ao aleitamento artificial, como mamadeiras, bicos e outros utensílios.
- Vínculo afetivo entre mãe e filho: a amamentação é uma forma especial de relação entre a mãe e bebê, porque fortalece o vínculo afetivo, traz sentimentos de segurança e proteção para a criança e de autoconfiança e realização para a mulher.
- Melhor qualidade de vida: crianças amamentadas adoecem menos, necessitam de menos atendimento médico, hospitalizações e medicamentos. Além disso, apresentam menos infecções respiratórias, diarreia e menor risco de desenvolver obesidade, alergias e diabetes futuramente.
A amamentação melhora a sobrevida, saúde e desenvolvimento das crianças e oferece vantagens econômicas e de saúde para as mães.
CONCLUSÃO
Dessa forma, é evidente que o aleitamento materno contribui para a saúde da mãe e bebê. O leite materno é um alimento natural, equilibrado, econômico e adequado às necessidades de cada criança, e contribui efetivamente para a segurança alimentar e nutricional.
Nesse Agosto Dourado, ajude a fortalecer a rede de apoio às mães, promovendo informação, acolhimento e incentivo para que elas se sintam mais seguras e confiantes ao amamentar!
REFERÊNCIAS:
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primaria à Saúde. Departamento de Promoção da Saúde. Guia alimentar para crianças brasileiras menores de 2 anos. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/Documentos/pdf/guia-alimentar-para-criancas-brasileiras-menores-de-2-anos.pdf/view. Acesso em: 21 jul. 2025.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: aleitamento materno e alimentação complementar. Brasília: Ministério da Saúde, 2015. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf. Acesso em: 21 jul.2025.
- ORIGEM, Grupo; KING, F. Savage. Como ajudar as mães a amamentar. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_13.pdf. Acesso em: 21 jul 2025.
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