O que é a equação de Harris Benedict e como ela define sua dieta?

Na foto, um nutricionista fazendo cálculos na mão.

A equação de Harris-Benedict é uma das fórmulas mais conhecidas da nutrição para estimar as necessidades energéticas de um indivíduo. Embora tenha sido desenvolvida há mais de um século, ela ainda é amplamente utilizada na prática clínica como uma ferramenta para calcular o gasto energético basal e auxiliar na elaboração de planos alimentares.

A quantidade de calorias recomendada para uma pessoa não é definida de forma aleatória. Antes de elaborar uma dieta, o nutricionista precisa estimar quanto o organismo gasta de energia ao longo do dia e quais são as necessidades individuais de cada paciente.

Para isso, utiliza-se diferentes equações. Entre elas, a equação de Harris-Benedict se destaca por considerar informações simples e facilmente obtidas durante a consulta, como peso, estatura, idade e sexo.

Além disso, esse cálculo energético fornece uma base inicial para estratégias voltadas ao emagrecimento, ganho de massa muscular ou manutenção do peso corporal.

Nesse contexto, entender como a equação de Harris-Benedict funciona pode ajudar a compreender por que duas pessoas com características diferentes podem receber orientações alimentares distintas.

Ao longo deste texto, você vai entender o que é a equação de Harris-Benedict, como ela calcula o gasto energético total e qual é sua importância na construção de uma dieta individualizada.

O que é a equação de Harris-Benedict?

Os pesquisadores Harris e Benedict publicaram a equação originalmente em 1919 e, posteriormente, a revisaram em 1984, tornando-a uma das fórmulas mais conhecidas para estimar o gasto energético basal (GEB). Sua aplicação considera fatores como peso, estatura, idade e sexo biológico para estimar a quantidade mínima de energia necessária para manter as funções vitais do organismo em repouso.

Embora atualmente existam outras fórmulas utilizadas na prática clínica, a equação de Harris-Benedict continua sendo uma das mais conhecidas dentro da nutrição. Isso acontece porque utiliza variáveis simples de obter durante a avaliação nutricional, permitindo uma estimativa rápida das necessidades energéticas. 

Contudo, apesar de sua ampla utilização, a equação apresenta algumas limitações. Os pesquisadores a desenvolveram com base em uma população que apresentava características corporais específicas. Por isso, ela tende a estimar o gasto energético basal com maior precisão em indivíduos cuja composição corporal se aproxima da média da população estudada.

Por esse motivo, pode apresentar menor exatidão em pessoas muito magras, com obesidade, sobrepeso importante ou elevada massa muscular.

Além disso, a equação estima apenas o gasto energético basal, ou seja, a quantidade de calorias mínima necessária para manter as funções vitais do organismo em repouso.

Dessa forma, para calcular o gasto energético total (GET), que corresponde à quantidade total de energia utilizada pelo organismo diariamente, é necessário considerar outros fatores, especialmente o nível de atividade física e, em algumas situações clínicas, fatores relacionados ao estado fisiológico ou à presença de doenças.

Como funciona a equação de Harris-Benedict?

A equação de Harris-Benedict utiliza quatro informações principais:

  • Peso corporal;
  • Estatura;
  • Idade;
  • Sexo.

A partir desses dados, é possível estimar o gasto energético basal. As fórmulas clássicas são:

Homens

GEB = 66,47 + (13,75 × peso em kg) + (5 × altura em cm) – (6,76 × idade em anos)

Mulheres

GEB = 655,1 + (9,56 × peso em kg) + (1,85 × altura em cm) – (4,68 × idade em anos)

O resultado obtido corresponde à estimativa da energia necessária para manter as funções vitais do organismo em repouso, ou seja, a taxa metabólica basal ou gasto energético basal.

No entanto, esse valor não representa o total de calorias que uma pessoa precisa consumir ao longo do dia. Para isso, é necessário considerar outros fatores que também influenciam o gasto energético diário.

Entenda os principais termos utilizados nos cálculos energéticos

Ao estudar a equação de Harris-Benedict, é comum encontrar termos como TMB, GEB e GET. Embora pareçam semelhantes, cada um deles representa uma etapa diferente da estimativa das necessidades energéticas.

Taxa Metabólica Basal (TMB) ou Gasto Energético Basal (GEB):

Na prática clínica, muitas pessoas confundem os termos TMB e GEB como sinônimos. Eles representam a quantidade mínima de energia necessária para manter as funções vitais do organismo em funcionamento durante o repouso.

Esse gasto energético inclui processos como:

  • Respiração;
  • Circulação sanguínea;
  • Funcionamento dos órgãos;
  • Atividade cerebral;
  • Manutenção da temperatura corporal;
  • Processos celulares básicos.

Por esse motivo, o GEB costuma representar a maior parcela do gasto energético diário na maioria das pessoas.

Gasto Energético Total (GET):

O GET corresponde à quantidade total de energia utilizada pelo organismo ao longo do dia.

Além do gasto energético basal, ele considera outros componentes que influenciam o consumo energético diário, como o nível de atividade física, digestão dos alimentos (efeito térmico dos alimentos) e necessidades fisiológicas específicas. 

De forma simplificada, o GET representa a soma de todos os gastos energéticos realizados pelo organismo ao longo do dia.

Fator de Atividade (FA):

O fator de atividade tem como objetivo ajustar o cálculo energético de acordo com o nível de atividade física do indivíduo.

Pessoas sedentárias, moderadamente ativas ou muito ativas apresentam demandas energéticas diferentes. Por isso, após o cálculo do GEB, aplica-se um fator que permite estimar melhor o gasto energético total.

Fator de Injúria (FI):

O fator de injúria é utilizado principalmente em contextos clínicos e hospitalares.

Situações como infecções, queimaduras, traumas, cirurgias e outras condições que aumentam o estresse metabólico podem elevar significativamente as necessidades energéticas do organismo. Nesses casos, o FI ajuda a ajustar o cálculo para refletir essa demanda adicional.

Fator Térmico (FT):

O fator térmico considera alterações no gasto energético relacionadas à temperatura corporal.

Quadros de febre, por exemplo, podem aumentar o metabolismo e elevar as necessidades energéticas. Por esse motivo, em algumas situações clínicas, o profissional também pode incorporar esse fator ao cálculo.

Como utilizar esses fatores na equação de Harris-Benedict?

Após calcular o GEB com a equação de Harris-Benedict, basta multiplicar o resultado pelos fatores correspondentes para estimar o gasto energético total (GET).

De forma simplificada, a relação pode ser expressa pela seguinte fórmula:

GET = GEB × FA × FI × FT

Em indivíduos saudáveis, geralmente utiliza-se apenas o fator de atividade física. Já em pacientes hospitalizados ou com condições clínicas específicas, outros fatores podem ser considerados para tornar a estimativa mais adequada à realidade do paciente.

Como a equação de Harris-Benedict influencia a dieta?

A equação de Harris-Benedict não define diretamente quais alimentos um paciente deve consumir.

Entretanto, ela fornece uma estimativa importante da quantidade de energia necessária para atender às necessidades do organismo. Esse valor serve como ponto de partida para a construção do plano alimentar.

Em estratégias de emagrecimento, por exemplo, o nutricionista pode utilizar a estimativa do gasto energético para calcular um déficit calórico compatível com os objetivos do paciente.

Por outro lado, em situações que envolvem ganho de massa muscular, pode ser necessário planejar um consumo energético superior ao gasto estimado.

Além disso, o cálculo energético auxilia na distribuição adequada de macronutrientes e na elaboração de estratégias individualizadas para diferentes perfis.

Nesse sentido, a equação de Harris-Benedict contribui para tornar a dieta mais personalizada e compatível com as necessidades de cada indivíduo.

A equação de Harris-Benedict é a mais utilizada atualmente?

Embora continue sendo muito conhecida, a equação de Harris-Benedict não é a única opção disponível para estimar as necessidades energéticas.

Ao longo dos anos, novas fórmulas foram desenvolvidas e passaram a ser utilizadas em diferentes contextos clínicos.

Além disso, instituições como o Institute of Medicine (IOM) propuseram equações mais recentes para estimar a necessidade energética diária, conhecidas como Estimated Energy Requirement (EER). 2

Essas equações foram desenvolvidas com base em métodos mais modernos de avaliação do gasto energético e consideram diferentes fases da vida e níveis de atividade física.

Ainda assim, a equação de Harris-Benedict permanece amplamente utilizada devido à sua simplicidade, praticidade e aplicabilidade em diversos contextos. Por esse motivo, ela continua sendo uma importante ferramenta dentro da avaliação nutricional.

Por que o cálculo deve ser feito por um nutricionista?

Apesar de existirem calculadoras disponíveis na internet, interpretar corretamente os resultados exige conhecimento técnico.

Isso acontece porque a necessidade energética não depende apenas dos valores obtidos pela equação.

Fatores como composição corporal, nível de atividade física, histórico clínico, objetivos individuais, uso de medicamentos e condições de saúde podem modificar significativamente as necessidades nutricionais de uma pessoa.

Além disso, a escolha da equação mais adequada também pode variar conforme o perfil do paciente.

Nesse contexto, o nutricionista é o profissional capacitado para interpretar os resultados, realizar os ajustes necessários e transformar os cálculos em estratégias alimentares compatíveis com a realidade de cada indivíduo.

Ferramentas como o WebDiet também auxiliam nesse processo, permitindo a realização de cálculos nutricionais e o desenvolvimento de planos alimentares personalizados de forma mais prática e organizada.

Por que a equação de Harris-Benedict é importante para o planejamento alimentar? 

A equação de Harris-Benedict é uma das ferramentas utilizadas pelos nutricionistas para estimar o gasto energético basal e compreender melhor as necessidades energéticas individuais.

Embora não determine sozinha como uma dieta deve ser estruturada, ela fornece informações importantes para o cálculo do gasto energético total e para a definição de estratégias nutricionais mais individualizadas.

Por fim, quando associada à avaliação nutricional completa, a equação de Harris-Benedict contribui para a elaboração de planos alimentares mais adequados, seguros e alinhados às necessidades de cada paciente.

Referências:

  1. MUSSOI, T. D. Avaliação nutricional na prática clínica: da gestação ao envelhecimento. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 
  2. National Academies of Sciences, Engineering, and Medicine; Health and Medicine Division; Food and Nutrition Board; Committee on the Dietary Reference Intakes for Energy. Dietary Reference Intakes for Energy. Washington (DC): National Academies Press (US); 2023 Jan 17. PMID: 36693139. 

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