Como estudar através de artigos científicos?

Nos dias atuais é fácil ter acesso a qualquer tipo de informação, basta pesquisar o assunto na internet que nos deparamos com centenas de resultados de busca. São muitas informações para serem lidas e compreendidas, o que traz um problema em relação a qual conteúdo priorizar e o que considerar confiável e relevante.

Conteúdos postados em redes sociais são dinâmicos e acessíveis, entretanto não exigem um crivo científico, deixando os consumidores vulneráveis a informações falsas ou sensacionalistas. Portanto, é importante se manter atento, buscando sempre checar as informações em artigos científicos ou através de órgãos competentes. Isso é ainda mais importante para profissionais da área da saúde, uma vez que um profissional precisa ter mais responsabilidade com as informações que propaga.

A leitura de artigos científicos possui, de fato, maior grau de complexidade quando comparada a postagens resumidas em rede social, mas através da prática você vai se sentir mais familiarizado com esse tipo de texto. Assim como para aprender uma nova língua, é preciso entrar em contato com os artigos de forma constante, afinal nós estamos lidando justamente com uma outra linguagem: a científica.

Os artigos acadêmicos são, até então, as fontes mais confiáveis e atualizadas de informação, pois partem de uma pesquisa científica. No entanto, ainda é preciso ter cautela, uma vez que nem todo artigo científico tem a mesma confiabilidade e relevância. Além do resumo e conclusão, precisamos nos habituar a ler o corpo do estudo e entender sua metodologia para avaliarmos criticamente.

Um ponto inicial é observar o tipo de estudo. Por exemplo, é preciso ter muita cautela ao ler um artigo de um trabalho feito em animais ou em células. Não se deve extrapolar o resultado desse trabalho para sua prática clínica, uma vez que esse tipo artigo é o início de uma linha de pesquisa que ainda precisa ser estudada e validada na população de interesse: os humanos. Resultados diferentes podem ser encontrados quando a mesma tese for testada em seres humanos, por isso é importante ter cautela.

Mesmo um estudo em humanos, quando for um trabalho observacional, não deve ter como conclusão uma relação de causa e consequência, afinal não é esta a proposta dele. Estudos observacionais demonstram associações, mas que não refletem necessariamente uma relação de causalidade.

Por exemplo, podemos dizer, hipoteticamente, que um artigo demonstrou uma associação entre ataques de tubarões e o consumo de sorvete em países do hemisfério norte. Nesse caso, foi demonstrado que quando a incidência de ataques de tubarão aumentava, o consumo de sorvete também aumentava, e quando diminuía, o mesmo. Há uma clara correlação entre esses dois eventos, mas não existe uma relação de causa e efeito entre eles. Por exemplo, ser atacado por tubarão não faz com que as pessoas tomem mais sorvete ou comer sorvete não torna o ser humano mais atrativo para tubarões.

Na verdade, existe uma outra variável que justifica essa relação: o verão! Com temperaturas mais altas, mais pessoas tomam sorvete e vão ao mar, ficando mais expostas aos tubarões. Portanto no verão esses dois eventos acontecem mais frequentemente e, por isso, estão correlacionados, mas não como causa e efeito. Ou seja, tomar menos sorvete não te protege de um ataque de tubarão. Portanto, é preciso ter cautela: dois eventos correlacionados não necessariamente possuem uma relação de causa e efeito entre si, e nem sempre essa conclusão será óbvia como no caso descrito acima. Considere ao ler um artigo observacional que é possível que haja uma outra variável não investigada que explique a correlação encontrada. Os artigos que se propõem a investigar relações causais são chamados de ensaios clínicos randomizados.

Por isso é importante aprender sobre metodologia de estudos e ser crítico com o que é lido.

Para ficar atualizado nas publicações mais recentes algumas dicas são:

  • Se cadastrar em revistas de artigos científicos. Todas possuem opção para cadastro e você irá receber no seu e-mail as suas últimas publicações.
  • Site ResearchGate: uma espécie de rede social voltada para cientistas e pesquisadores trocarem informações e disponibilizarem seus trabalhos, trocar informações de contato, entre outras coisas. O site é gratuito. Você pode “seguir” algum pesquisador e receber em seu e-mail quando ele postar uma publicação ou quando recomendar a leitura de um artigo.
  • PubMed Hub uma alternativa ao Researcher com funções similares.
  • Aplicativo Read by: no aplicativo, é possível acompanhar as publicações de revistas e temas de interesse, recebendo notificações diretamente no smartphone.
  • Bases de dados onde se encontram os artigos científicos mais relevantes na área da saúde: Pubmed, Scielo, Scopus, entre outros. Nestas bases você procura por artigos utilizando palavras-chave de interesse e pode adicionar filtros de busca, como data, espécie, tipo de estudos etc.

Referências:

1) Editorial. Como ler um artigo científico. Pesqui Odontol Bras. 2001;15(2). doi: 10.1590/S1517-74912001000200001

2) https://www.ncbi.nlm.nih.gov/

3) https://www.scielo.br/

4) https://www.researchgate.net/

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