A nutrição na síndrome de Down desempenha um papel fundamental na promoção da saúde, no crescimento adequado e na qualidade de vida de crianças e adolescentes.
Isso porque indivíduos com síndrome de Down apresentam características genéticas específicas que podem influenciar diretamente o metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento global.
A síndrome de Down, também conhecida como trissomia do 21, é a alteração cromossômica mais comum em seres humanos. Essa condição é caracterizada pela presença de um cromossomo extra (ou de uma parte dele) no par 21 do genoma de um indivíduo.
Essa alteração resulta em características físicas, cognitivas e metabólicas específicas, podendo impactar o desenvolvimento ainda durante a gestação e continuar a ter efeitos ao longo de toda a vida.
Nesse sentido, a nutrição na síndrome de Down envolve alguns cuidados específicos durante o acompanhamento nutricional infantil.
Ainda que as recomendações alimentares gerais sejam semelhantes às de outras crianças, os fatores metabólicos, motores e clínicos também podem influenciar o crescimento, o comportamento alimentar e o estado nutricional.
Por isso, a nutrição na síndrome de Down precisa considerar não apenas a ingestão alimentar, mas também o desenvolvimento infantil na síndrome de Down, a presença de comorbidades e o padrão de crescimento.
Além disso, é comum que indivíduos com síndrome de Down apresentem maior predisposição a algumas condições de saúde específicas, como hipotonia muscular, alterações hormonais e relacionadas ao gasto energético basal, maior risco de sobrepeso ou obesidade e alterações oromotoras.
Os estudos indicam também alterações na composição corporal e maior risco para outras condições associadas, como hipotireoidismo, doença celíaca e constipação, que impactam diretamente o manejo nutricional.
Assim, a nutrição na síndrome de Down não deve ser vista apenas como um suporte complementar, mas sim como parte integrante do cuidado multidisciplinar.
Existem, no entanto, alguns pontos de atenção para o acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes a fim de garantir maior qualidade de vida e bem-estar para esses indivíduos. Continue lendo para conferir.
Curvas de crescimento na síndrome de Down
Um dos primeiros pontos a se atentar durante o acompanhamento nutricional infantil na síndrome de Down é a avaliação do crescimento.
Crianças com síndrome de Down possuem padrões de crescimento diferentes da população geral, por isso recomenda-se utilizar curvas de crescimento específicas para a síndrome de Down, que permitem avaliar adequadamente peso, estatura e evolução nutricional.
Entre as referências disponíveis estão curvas internacionais e curvas desenvolvidas para a população brasileira.
Essas curvas auxiliam na interpretação da evolução do crescimento e na identificação precoce de alterações no ganho de peso na síndrome de Down.
Durante o acompanhamento nutricional, é importante avaliar não apenas as medidas atuais de peso e estatura, mas também a evolução ao longo do tempo.
Adicionalmente, o monitoramento contínuo do crescimento na nutrição na síndrome de Down permite que ajustes sejam feitos de forma preventiva, favorecendo o desenvolvimento físico, cognitivo e metabólico, além de contribuir para melhor qualidade de vida desses indivíduos.
Além disso, crianças com síndrome de Down podem apresentar menor gasto energético basal e maior tendência ao acúmulo de gordura corporal.
Dessa forma, reforçando a importância do monitoramento regular do crescimento e do estado nutricional.
Alimentação para criança com síndrome de Down
A nutrição na síndrome de Down deve considerar tanto as recomendações gerais de alimentação infantil quanto algumas particularidades associadas à condição.
Alterações metabólicas, hipotonia muscular, dificuldades alimentares e maior risco de algumas doenças podem influenciar o padrão alimentar e o estado nutricional dessas crianças.
De forma geral, a alimentação para criança com síndrome de Down deve seguir os princípios de uma dieta equilibrada e variada.
Ou seja, uma alimentação baseada principalmente em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras e legumes, leguminosas, laticínios e boas fontes de proteína.
Esse padrão alimentar contribui para o crescimento adequado, o desenvolvimento infantil e a prevenção de alterações metabólicas ao longo da vida.
Ademais, crianças com síndrome de Down apresentam maior risco de excesso de peso e obesidade ao longo da infância, o que reforça a importância da nutrição na síndrome de Down e da promoção de hábitos alimentares saudáveis desde os primeiros anos de vida.
Além da qualidade da dieta, o acompanhamento nutricional infantil na síndrome de Down também deve observar possíveis dificuldades alimentares. Alterações oromotoras e atrasos no desenvolvimento motor podem interferir na mastigação, na deglutição e na progressão para diferentes texturas alimentares.
Nesse contexto, estima-se que a frequência de problemas com a alimentação em crianças com síndrome de Down varie entre 50% e 80%. Essas alterações podem resultar em:
- Atraso na introdução de alimentos sólidos;
- Preferência por determinadas texturas;
- Seletividade alimentar;
- Ingestão alimentar pouco variada.
Por isso, durante a consulta nutricional na síndrome de Down, o nutricionista deve avaliar não apenas o que a criança come, mas também considerar a aceitação, habilidades de mastigação, autonomia nas refeições e presença de sintomas gastrointestinais.
Avaliação nutricional na síndrome de Down
Durante o acompanhamento nutricional infantil na síndrome de Down, a avaliação deve ir além da ingestão alimentar.
A nutrição na síndrome de Down precisa considerar fatores clínicos, metabólicos e de desenvolvimento que podem influenciar o crescimento, o estado nutricional e o comportamento alimentar.
Crianças com síndrome de Down apresentam maior risco de alterações no crescimento, dificuldades alimentares e algumas comorbidades que podem impactar a conduta nutricional.
Por isso, o nutricionista deve realizar uma avaliação ampla e periódica. Entre os principais pontos que devem ser observados na consulta nutricional na síndrome de Down, destacam-se:
- Curva de crescimento para a síndrome de Down: utilizar curvas específicas ou referências adequadas para avaliar peso, estatura e evolução do crescimento;
- Ganho de peso: monitorar o peso corporal, considerando que crianças com síndrome de Down podem apresentar menor gasto energético basal;
- Padrão alimentar e qualidade da dieta: avaliar variedade alimentar, consumo de frutas, verduras, legumes, proteínas e alimentos ricos em fibras;
- Seletividade alimentar: investigar a recusa alimentar, preferência por determinadas texturas ou alimentos e baixa variedade da dieta;
- Desafios na alimentação: observar possíveis dificuldades de mastigação e deglutição relacionadas ao tônus muscular reduzido;
- Sintomas gastrointestinais: como constipação, refluxo ou desconforto abdominal que possam impactar a ingestão alimentar;
- Presença de comorbidades associadas: como hipotireoidismo ou doença celíaca, que podem interferir no estado nutricional.
Além disso, uma avaliação abrangente do estado nutricional na nutrição na síndrome de Down é essencial para identificar deficiências, excessos ou desequilíbrios.
Com base nessa análise, que deve incluir também exames laboratoriais, é possível implementar intervenções nutricionais personalizadas e eficazes para cada criança ou adolescente.
Essa avaliação completa permite direcionar melhor a nutrição na síndrome de Down e orientar a família sobre estratégias alimentares adequadas para cada fase do desenvolvimento.
CONCLUSÃO
A nutrição na síndrome de Down exige atenção às particularidades do crescimento, do desenvolvimento e do comportamento alimentar da criança e do adolescente.
Embora muitas recomendações sobre alimentação sejam semelhantes às da população geral, fatores metabólicos, motores e clínicos podem influenciar o estado nutricional.
Nesse contexto, a consulta nutricional na síndrome de Down deve incluir avaliação do crescimento por meio de curvas específicas, análise do padrão alimentar, investigação de dificuldades alimentares e monitoramento de possíveis comorbidades associadas.
O acompanhamento regular permite identificar precocemente alterações no crescimento, orientar a família e ajustar a nutrição na síndrome de Down.
Dessa forma, a nutrição contribui para um desenvolvimento saudável e para a promoção de hábitos alimentares adequados ao longo da infância.
Referências:
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- Hielscher, Laura et al. A Scoping Review of the Complementary Feeding Practices and Early Eating Experiences of Children With Down Syndrome. Journal of pediatric psychology vol. 48,11 (2023): 914-930. doi:10.1093/jpepsy/jsad060.
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